17/09/2025 15:42 - Política
Radioagência
Ex-assessor do TSE afirma que havia um monitoramento das redes sociais da "direita" nas eleições de 2022
EX-ASSESSOR DO TSE AFIRMA QUE HAVIA UM MONITORAMENTO DAS REDES SOCIAIS DA "DIREITA" NAS ELEIÇÕES DE 2022. A REPÓRTER SILVIA MUGNATTO ACOMPANHOU O DEPOIMENTO.
O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral, Eduardo Tagliaferro, disse aos deputados da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara que havia um direcionamento do monitoramento de redes sociais nas eleições de 2022 em relação a pessoas situadas no campo político da direita. Segundo ele, os pedidos partiam do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Tagliaferro foi ouvido como testemunha no processo (Representação 2/25) que analisa a cassação da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP). Ele é investigado por vazar mensagens trocadas por servidores do gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Tagliaferro chefiou a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação no TSE.
Ele foi exonerado em 2023 e, com o início das investigações no ano seguinte, mudou-se para a Itália, onde vive atualmente e é alvo de um pedido de extradição. O depoimento foi colhido por videoconferência.
Carla Zambelli está presa na Itália, onde aguarda o julgamento de um pedido de extradição para o Brasil. Ela e o hacker Walter Delgatti Neto foram condenados por invadir o sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça para inserir um mandado falso de prisão do ministro Alexandre de Moraes, assinado por ele mesmo. Zambelli também foi condenada à perda do mandato parlamentar.
Questionado pelo relator da CCJ, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), Tagliaferro disse que a deputada Carla Zambelli era uma das principais figuras monitoradas em relação às redes sociais:
“O que eu tenho comigo são os relatórios produzidos, os e-mails encaminhados oficialmente para o gabinete do ministro Alexandre de Moraes e as várias conversas de WhatsApp, onde claramente se vê que Carla Zambelli era, de fato, um alvo e tinha uma intenção com cunho persecutório. Inclusive até em palavras, diziam: ‘vamos pegar ela’... Você via que o teor das conversas mostrava que era uma perseguição.”
O ex-assessor disse que os pedidos de monitoramento eram insistentes e eram observadas pessoas que tinham um grande alcance nas redes sociais e que postavam mensagens de ataques às urnas ou tentativas de manipulação das eleições, além de ataques a ministros. Ele repassou prints das conversas que comprovariam suas declarações à CCJ.
O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) questionou Tagliaferro sobre novas revelações que ele vem dizendo que fará:
“O senhor tem ameaçado divulgar dados e informações, enfim sobre a questão da justiça eleitoral, da justiça como um todo no país. E a pergunta que não quer calar é: Por que já não fez? O que não pode é ficar fazendo ameaça, dizendo que tem e não mostrar o que tem. E aí nós ficamos nessa redoma, nós precisamos desse esclarecimento.”
Tagliaferro respondeu que tentou falar com a imprensa, mas não foi ouvido. E que não pode confiar nos órgãos de investigação que são parceiros de Alexandre de Moraes. Pompeo também perguntou se o governo americano o procurou e ele respondeu:
“Sim, me procurou, me procurou para poder levar o material, tá? Porém eu não tenho lado político, eu não tenho esquerda, eu não tenho direita. Agora, enquanto eu tiver vida e liberdade eu vou denunciar aonde eu puder. Ou, lá na frente, o que vai acontecer? Esses que estão hoje preocupados com dinheiro, vão perder seu dinheiro. Ele vai ser confiscado porque isso vai se transformar em um comunismo.”
Em nota divulgada no início de setembro, o ministro Alexandre de Moraes disse que as solicitações feitas ao Tribunal Superior Eleitoral para instruir os inquéritos sobre Fake News e milícias digitais são legítimos porque o TSE tem poder de polícia para a realização de relatórios sobre atividades ilícitas.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto








