17/09/2025 12:02 - Saúde
Radioagência
Pacientes e familiares pedem atualização de protocolo para tratamento de doença respiratória
PACIENTES E FAMILIARES PEDEM ATUALIZAÇÃO DE PROTOCOLO PARA TRATAMENTO DE DOENÇA RESPIRATÓRIA. O REPÓRTER LUIZ CLÁUDIO CANUTO ACOMPANHOU AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE O ASSUNTO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS E TEM AS INFORMAÇÕES.
Pacientes e familiares pediram a atualização dos protocolos de atendimento da DPOC, a doença pulmonar obstrutiva crônica. O apelo foi feito em debate das comissões de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e de Saúde da Câmara dos Deputados (17).
As doenças respiratórias crônicas são a terceira maior causa de morte no mundo. São 445 milhões de pessoas com doenças dessa natureza, a maioria delas com mais de 60 anos (Global Burden of Disease Study, 2019). Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, no Brasil, sete milhões de pacientes têm DPOC.
Representante da entidade médica, o pneumologista Roberto Stirbulov explicou que os sintomas principais da DPOC são tosse persistente e falta de ar. E há outros males associados à enfermidade, como depressão, doenças do coração, osteoporose, diabetes e disfunções musculares. Entre os fatores de risco, está o tabagismo. O médico alertou para a possibilidade de agravamento súbito da doença, ou exacerbação do quadro.
“É uma piora súbita dos sintomas, é durante a exacerbação que o doente morre. É durante a exacerbação que pioram as doenças associadas, que a gente chama de comorbidade, então temos sempre que prevenir a exacerbação, reconhecer a exacerbação e prevenir.”
A espirometria, um teste da função pulmonar, confirma o diagnóstico da DPOC. O tratamento inclui parar de fumar, exercícios físicos, reabilitação pulmonar, oxigenoterapia e medicamentos.
A representante da rede Colabore com o Futuro no debate, Soraya Araújo, denunciou a demora do Sistema Único de Saúde em ofertar terapias já aprovadas. Ela citou a abertura recente de uma consulta pública (consulta 35/25) para atualização do protocolo.
“A gente aprovou esses tratamentos há quase dois anos e já temos coisas novas saindo, então é muito importante que, além de disponibilizar o que já está aprovado há mais de ano, e a gente ainda não tem, é olhar o que está por vir.”
Ela pediu que o Ministério da Saúde publique o protocolo atualizado de atendimento e que a Agência Nacional de Saúde Suplementar autorize o uso das terapias pelos usuários de planos de saúde.
Soraya Araújo citou o caso do pai, que, com 86 anos, sofre há mais de uma década com a DPOC. Segundo ela, a doença limita a vida dos pacientes, com alto custo social e econômico vindo de internações, afastamentos e aposentadorias precoces.
Representante do Ministério da Saúde, Danielle Moreira informou que os atendimentos de DPOC no país quase dobraram em cinco anos, passando de 485 mil casos em 2020 para 819 mil em 2024.
Ela destacou que os investimentos em atenção primária passaram de R$ 12 bilhões em 2023 para R$ 16,1 bilhões em 2024. Houve compra de espirômetros digitais e kits para teleconsulta. O ministério também faz campanhas constantes contra tabagismo, divulga diretrizes terapêuticas e informativos e promove a formação e qualificação de profissionais de saúde para atender DPOC, segundo a gestora.
O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia no Distrito Federal, Leonardo Pitta, destacou a importância da prevenção e lembrou que o custo de internações por DPOC é mais de cinco vezes maior em idosos acima de 80 anos do que na população adulta.
O debate foi solicitado pela deputada Flávia Morais (PDT-GO), do PDT de Goiás.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto.








