11/09/2025 15:04 - Meio Ambiente
Radioagência
Câmara promove seminário para lembrar 11 de setembro, Dia Nacional do Cerrado
CÂMARA PROMOVE SEMINÁRIO PARA LEMBRAR 11 DE SETEMBRO, DIA NACIONAL DO CERRADO. A REPORTAGEM É DE LUIZ CLÁUDIO CANUTO.
11 de setembro é o Dia Nacional do Cerrado. Na Câmara, um evento da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais lembrou a data e discutiu os impactos do avanço do desmatamento e a valorização dos povos e comunidades tradicionais do bioma, como indígenas e quilombolas. Centenas deles acompanharam em dois plenários e no auditório Nereu Ramos o seminário com especialistas em biodiversidade.
O Cerrado é o berço das águas que alimentam rios de todo o país. Apesar da importância do segundo maior bioma do Brasil, ele é pouco valorizado, segundo a secretária-executiva da Rede Cerrado, Ingrid Martins Silveira.
“Então a gente está no coração do Brasil, com as principais bacias hidrográficas do Brasil. Das 12 principais que nós temos, 8 nascem do cerrado e ele verte água para todos os demais biomas que nós temos no Brasil. Então ele é um coração que pulsa água para todo o Brasil. Porque hoje a gente tem mais de 50% de nossa vegetação nativa completamente destruída e devastada, isso impacta diretamente na água.”
Ela afirmou que a escassez hídrica prejudica a produção de alimentos e afeta as populações que habitam o bioma, principalmente as tradicionais, que vivem no campo.
É o caso de Lucely Pio, da comunidade quilombola do Cedro, no município de Mineiros, Goiás, para quem outro problema do bioma é a ocupação agrícola desordenada.
“Para nós, que somos povos do cerrado, a gente tira nossa sustentabilidade do cerrado em pé, a gente precisa das plantas medicinais, a gente precisa dos frutos do cerrado, e também a gente precisa do clima. Se o cerrado está em pé, a gente vai ter um clima melhor, a gente vai ter um modo de vida melhor.”
O seminário foi pedido pela deputada Dandara (PT-MG), que destacou que o Cerrado, bioma que reúne 5% da biodiversidade do planeta, é o mais atingido pelo desmatamento nos últimos anos.
Em 2024 o desmatamento caiu em todos os biomas brasileiros, segundo dados divulgados pela rede MapBiomas, mas a atividade continua avançando e o Cerrado perdeu mais de 650 mil hectares. Foi o ecossistema mais desmatado no período, conforme enfatizou a deputada.
“Enquanto o desmatamento na Amazônia está caindo ano após ano, só no ano passado os índices melhoraram um pouco no cerrado, e nós queremos ter política pública eficaz que garanta a proteção do cerrado com desenvolvimento econômico atrelado à justiça social.”
A deputada é coordenadora de grupo de trabalho na Câmara dedicado ao bioma.
Ela informou que está em condições de ser votada em plenário a proposta de emenda à Constituição (PEC 504/10) que inclui o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados patrimônios nacionais, a exemplo da Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Pantanal, Serra do Mar e zona costeira. O texto assegura o uso sustentável dos biomas.
Dandara também lembrou o projeto (PL 1634/24) que cria a Brigada de Mobilização Nacional, formada por integrantes do Corpo de Bombeiros dos estados e do Distrito Federal, para atuar na prevenção e no controle de desastres naturais e de outras emergências em todo o território nacional. A proposta aguarda votação na Comissão de Segurança Pública da Câmara.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto








