04/09/2025 19:59 - Meio Ambiente
Radioagência
Manifestos marcam o Dia da Amazônia na Câmara
MANIFESTOS EM DEFESA DAS TERRAS INDÍGENAS E DOS POVOS DA FLORESTA MARCAM O DIA DA AMAZÔNICA, LEMBRADO EM SESSÃO SOLENE NA CÂMARA. O REPÓRTER JOSÉ CARLOS OLIVEIRA ACOMPANHOU
Manifestos de movimentos sociais marcaram a sessão solene, realizada no Plenário da Câmara dos Deputados (em 04/09), em homenagem ao Dia da Amazônia, comemorado em 5 de setembro. A data é fixada em lei federal (11.621/07) desde 2007 e incentiva reflexões sobre a relevância do bioma para o equilíbrio climático global e sobre as ameaças vindas de desmatamento, queimadas e ocupação irregular.
Assessora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Alana Manchineri leu manifesto pedindo que a COP 30, a cúpula climática que o Brasil vai sediar em novembro, reconheça oficialmente o papel estratégico das terras indígenas no enfrentamento do aquecimento do planeta.
“Nossas terras são barreiras contra o desmatamento, por isso exigimos que seja reconhecida e valorizada a nossa contribuição climática, incluindo a garantia dos direitos territoriais e a proteção contra as invasões e também a proteção dos nossos povos”.
Na mesma linha, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, destacou os esforços do governo federal por regularização fundiária e desintrusão de territórios de povos tradicionais na Amazônia.
“Nesses tempos desafiadores de crise climática e a menos de dois meses da COP 30, falar da Amazônia e do papel essencial dos territórios indígenas na redução das emissões de gases do efeito estufa é um chamado à consciência”.
Outro manifesto foi apresentado pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) em forma de documento final da Semana da Sociobiodiversidade, realizada em Brasília entre 1° e 5 de setembro. O documento entregue aos parlamentares valoriza territórios tradicionais e propõe soluções que conciliam sustentabilidade, conservação da biodiversidade e justiça social.
Filha do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, a ambientalista Ângela Mendes relembrou o legado do pai para a atual ampliação do conceito de “Povos da Floresta”, antes integrado apenas por indígenas e seringueiros e hoje reforçado por quilombolas, assentados, pescadores e demais comunidades tradicionais, conscientes da importância do desenvolvimento sustentável com manutenção da floresta em pé.
Homenagear a Amazônia também é reconhecer que esse é um bioma vivo, a maior biodiversidade do mundo. Mas, eu acredito muito que o maior patrimônio dessa Amazônia são seus povos que prestam o serviço de guardar, de cuidar desse lugar”.
A sessão solene também registrou críticas a alterações legislativas apontadas como retrocesso, como o novo marco temporal para a demarcação de terras indígenas e a nova Lei Geral de Licenciamento Ambiental, parcialmente vetada pelo presidente Lula. Coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa da Transição Climática Justa, a deputada Socorro Neri (PP-AC) foi uma das organizadoras das homenagens à Amazônia no Plenário da Câmara.
“Essa data nos convoca não apenas à celebração de um bioma singular, mas à reflexão sobre o papel de todos os atores – Estado, povos originários, comunidades tradicionais, sociedade civil, setor produtivo e academia – na sua preservação. E é preciso reconhecer que temos vivido retrocessos na legislação ambiental, fragilizando instrumentos de proteção e aumentando a insegurança socioambiental”.
Representantes dos Ministérios do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário também participaram da sessão solene e apresentaram ações em curso para a proteção do bioma e da população amazônica.
Da Rádio Câmara, de Brasília, José Carlos Oliveira








