03/09/2025 14:43 - Ciência e Tecnologia
Radioagência
Matriz de energia limpa e renovável torna o Brasil atraente para instalação de data centers
BRASIL PODE ATRAIR MAIS DATA CENTERS POR TER MATRIZ ENERGÉTICA LIMPA. O REPÓRTER LUIZ CLÁUDIO CANUTO TEM OS DETALHES.
A Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados discutiu em audiência pública (3) o papel dos data centers no desenvolvimento da economia digital. Um projeto (PL 1680/25) em discussão na comissão cria a Política Nacional para Processamento e Armazenamento Digitais e busca a expansão da infraestrutura tecnológica do país.
O Brasil tem 189 data centers, cerca de 2% do total mundial. Esses centros processam e armazenam dados e precisam de energia estável, refrigeração e alta velocidade de conexão.
Segundo a diretora do Departamento de Transformação Digital do Ministério de Desenvolvimento, Cristiana Viana Rauen, centros de inteligência artificial consomem 70% mais energia que os convencionais. Ela avalia que a matriz brasileira, limpa e renovável, torna o país atrativo para novos investimentos.
“Dados são o principal ativo econômico da atualidade. A gente não pode ser furtar de dizer que, no contexto em que hoje uma economia digital representa 15% do PIB mundial, nenhum país do mundo pode se furtar de participar de um processo que se beneficie de uma infraestrutura digital de prontidão para ser beneficiar de um processo virtuoso de um compartilhamento de dados, de gestão de dados, de processamento e armazenamento de dados, como é o foco do projeto de lei que estamos nos debruçando hoje.”
O professor de Economia da Universidade de Brasília, Jorge Arbache, reforçou a vantagem ambiental. Ele lembrou que 90% da energia brasileira são renováveis, contra 24% nos Estados Unidos, 32% na China e 45% na Europa.
"Na melhor das hipóteses, Europa, China e Estados Unidos teriam a matriz elétrica tão renovável quanto a do Brasil no prazo no prazo de pelo menos 18 a 30 anos, a se manter os investimentos atuais, isso feito com cálculos bastante conservadores. Isso é o que coloca o Brasil no mapa dos data centers.”
Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Data Center, Luis Tossi, o país precisa agir rápido para atrair investimentos.
“Esses data centers estão sendo decididos e construídos hoje para ser implementados nos próximos 5 anos. O tempo médio de implementação de um data center no Brasil é de 18 a 24 meses. Então é importante que nós tenhamos leis, tenhamos medidas provisórias de atração de investimento numa janela de tempo muito curta, porque essa janela está passando.”
O representante do Google Cloud no Brasil, Michael Mohallem, defendeu que uma política para inventivo a data centers deve prever um equilíbrio entre política pública e mercado, com previsibilidade e menos centralização no governo.
A audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia foi presidida pelo relator do projeto que cria a Política Nacional para Processamento e Armazenamento Digitais, deputado David Soares (União-SP).
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto.








