02/09/2025 13:52 - Segurança
Radioagência
Comissão de segurança pública debate novos mecanismos para enfrentamento do crime organizado
A COMISSÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA DA CÂMARA DEBATEU NOVOS MECANISMOS PARA O ENFRENTAMENTO DO CRIME ORGANIZADO NO PAÍS.
O DEBATE OCORREU APÓS OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL CARBONO OCULTO, QUE DESMANTELOU UM ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO ENVOLVENDO FACÇÕES CRIMINOSAS. O REPÓRTER CLÁUDIO FERREIRA TEM AS INFORMAÇÕES.
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados discutiu medidas para atacar o patrimônio de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho (2).
O foco do debate foi a análise de um projeto (PL 2646/25) apresentado pelo deputado Julio Lopes (PP-RJ) e outros parlamentares. O texto prevê ações contra organizações criminosas e empresas usadas para lavagem de dinheiro.
O cientista político João Henrique Martins destacou que a deflagração recente da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, mostrou como o crime no Brasil tem características empresariais, com atuação em setores como o de combustíveis.
“O Brasil hoje ele tem várias empresas de transporte de cocaína, e aí, com isso, aufere um grande lucro e eu preciso lavar esse dinheiro. Estão aí as operações a semana passada. Esse dinheiro transborda para vários setores e ele começa a ocupar tantos setores quando forem possíveis”.
Para Martins, o baixo custo do crime, com penas reduzidas e progressão de regime, favorece a atuação das facções.
Rafael Erthal, do Instituto Livre Mercado, participou também do debate e defendeu mudanças na forma de combater o crime.
“Se você hoje acabar com os líderes da Coca-Cola, a Coca-Cola vai continuar sendo vendida. Então, o importante é justamente constranger e asfixiar a criminalidade organizada, principalmente por meios financeiros.”
Erthal elogiou pontos do projeto que permitem o sequestro imediato de bens após denúncia à Justiça. Atualmente, isso ocorre ao longo do processo, dando tempo para os criminosos se desfazerem do patrimônio.
O debate foi realizado a pedido do presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP). Ele é o relator do projeto que prevê a série de medidas contra o crime organizado e recomenda a aprovação da proposta. Na avaliação do deputado, apenas prender os líderes não é suficiente para enfraquecer as facções.
“Se hoje houvesse uma força-tarefa, uma super mega operação, e a gente conseguisse identificar e prender todos os 50 mil criminosos faccionados no Rio de Janeiro, seria o suficiente para encerrar toda a atividade criminosa das organizações criminosas que atuam no Rio de Janeiro? A resposta imediata é não. A resposta imediata é não porque todas essas prisões não seriam suficientes para 'desfinanciar' o crime, para fazer cessar a existência de patrimônio.”
O deputado Ricardo Barros (PP-PR), que também participou do debate, informou que líderes partidários articulam pedido de urgência para levar o projeto direto ao Plenário.
Da Rádio Câmara, de Brasília, com informações de Janary Junior, Cláudio Ferreira.








