21/08/2025 17:22 -
Radioagência
Conselho Federal de Psicologia lança publicação sobre população em situação de rua na Câmara
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA LANÇA PUBLICAÇÃO SOBRE POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NA CÂMARA. A REPÓRTER MARIA NEVES ACOMPANHOU.
Durante o lançamento da publicação Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) em Políticas Públicas para a População em Situação de Rua na Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado Reimont (PT-RJ) lembrou que no dia 21 de agosto de 2004 ocorreu a chacina de um grupo de irmãos que viviam em situação de rua em São Paulo. A tragédia, segundo disse, deu início à organização do movimento da população em situação de rua no Brasil.
O coordenador-geral de Políticas para os Direitos da População em Situação de Rua do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Cleyton Rosa, ressaltou que todas as políticas voltadas à população que vive na rua precisam de acompanhamento psicossocial.
“A gente precisa ter um olhar que ele é humanizado, de entender que uma pessoa vai entrar dentro de uma casa, se não for dada a ela, a linha branca, se não for dado para ela o mobiliário, se não for dado o acompanhamento diário para aquela pessoa, vai haver um fracasso.”
De acordo com o gestor do Ministério de Direitos Humanos, apesar das dificuldades, há avanços. Ele ressaltou a implantação do projeto Ponto de Apoio na Rua, que contará com psicólogos na equipe. Outra conquista, segundo Cleyton Rosa, é o projeto Moradia Cidadã, com orçamento de 22 milhões 160 mil reais. Segundo disse, o objetivo da iniciativa é retirar pessoas em situação de rua de instituições de abrigamento.
O coordenador da Comissão de Políticas Públicas do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco, Itamar Lima Junior, explicou que representantes da população em situação de rua participaram de todo o processo de elaboração da Referência Técnica. Itamar Junior participou da elaboração do documento publicado pelo Conselho Federal de Psicologia.
Segundo o psicólogo, a publicação é importante para aprimorar a atuação dos profissionais diante das especificidades da população que vive na rua.
“Essa referência ajuda a gente a pensar que todo este trabalho, ele não é feito apenas por profissionais da psicologia, a gente não vai deter o conhecimento suficiente e necessário para mudar a realidade, nós somos profissionais que vamos atuar conjuntamente com as outras profissionais, e principalmente com a história dessas pessoas que estão em situação de rua, que, na maioria das vezes, sabe quais são os caminhos para sair dessa vivência de violação de direitos, o que a gente precisa é ouvir mais, mas, além de ouvir, garantir que essa fala, ela possa ecoar.”
Já o representante do Conselho Federal de Psicologia, Rodrigo Acioli, relatou que o censo da psicologia brasileira, realizado em 2022, apontou que 20% dos psicólogos disseram trabalhar com a população que vive na rua. Na opinião de Rodrigo Acioli, esse número mostra o alcance atual da atuação dos psicólogos.
“A psicologia vai muito mais além do que as pessoas ouvem falar, que o atendimento clínico, o famoso divã, ela diversas atuações, ela está no Judiciário, está no hospital, está no esporte, enfim, diversas frentes, e também atuando junto à população em situação de rua.”
Representante da população em situação de rua, Joana Darc Bazílio criticou o discurso segundo o qual muitas pessoas estão na rua porque são usuários de substâncias psicoativas. Ela ressaltou que as causas levam alguém a viver na rua são muito complexas, quase sempre relacionadas à quebra de vínculos familiares.
Joana Darc Bazílio também lembrou que 21 de agosto é o Dia Nacional da Habitação Adequada.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








