07/08/2025 15:48 - Política
Radioagência
Retomada de votações não está vinculada a nenhuma pauta, diz presidente Hugo Motta
O PRESIDENTE DA CÂMARA, HUGO MOTTA, DISSE QUE NÃO FEZ ACORDO COM A OPOSIÇÃO EM CIMA DE PAUTAS ESPECÍFICAS PARA RETOMADA DAS VOTAÇÕES NO PLENÁRIO.
EM SESSÃO NESTA QUINTA-FEIRA, LÍDER DO PL PEDE DESCULPAS APÓS PROTESTOS DOS ÚLTIMOS DIAS; JÁ LÍDER DO PT COBRA PUNIÇÃO A OPOSICIONISTAS QUE OCUPARAM A MESA DO PLENÁRIO PARA IMPEDIR VOTAÇÕES. ACOMPANHE NA REPORTAGEM DE SILVIA MUGNATTO.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse em entrevista coletiva, nesta quinta-feira (7), que não fez acordo com a oposição para retomada dos trabalhos do Plenário, após protestos motivados pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Motta voltou a falar que a presidência da Câmara é inegociável:
“As matérias que estão saindo sobre a negociação feita por esta Presidência para que os trabalhos fossem retomados, ela não está vinculada a nenhuma pauta. O presidente da Câmara não negocia as suas prerrogativas, nem com a oposição, nem com o governo, nem com absolutamente ninguém.”
Logo após a entrevista, o presidente retomou as votações no Plenário, nesta quinta (7).
Na sessão, ladeado por vários deputados da oposição, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que o presidente Hugo Motta não assumiu nenhum compromisso com eles para a Mesa do Plenário ser desocupada na noite de quarta-feira (6). A ocupação havia começado na terça-feira pela manhã.
Segundo Sóstenes, foi feito um compromisso de pautar a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro e o fim do foro privilegiado entre a maioria dos líderes partidários:
“Somos e continuaremos aliados pela independência da cadeira da Presidência, que é assim que se preside uma Casa. Agora, nunca deixaremos de denunciar nesta tribuna que aqui existem, sim, parlamentares nesta Casa e no Senado que são chantageados por ministros do STF.”
Sóstenes disse que os deputados da oposição não são chantageadores:
“O presidente Hugo Motta não foi chantageado por nós. Ele não assumiu compromisso de pauta nenhuma conosco. Há um compromisso dos líderes dos partidos, que eu anunciei. Vamos pautar, sim, o fim do foro privilegiado e a anistia. Não é comportamento da direita chantagear ninguém. O nosso comportamento é um comportamento ético. É um comportamento de defender a pátria.”
Por fim, o deputado pediu desculpas ao presidente da Câmara:
“Eu, com Vossa Excelência, não fui correto e te peço perdão da tribuna da Câmara. Não fui correto no privado, mas faço questão de vir em público e te pedir perdão. Nós precisamos pacificar esse país. É o apelo que eu faço aos meus colegas, agradecendo e pedindo desculpas a todos agora. Se em algum momento eu fui indelicado com alguns dos senhores ou das senhoras.”
O líder do PT, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que houve, sim, chantagem da oposição:
“O que houve essa semana aqui foi um motim, um sequestro da Mesa da Câmara. Como não é chantagem? A mensagem era clara: ou vocês votam a anistia ou não tem mais votação.”
Para Lindbergh, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) faz chantagem todo dia, ameaçando com mais sanções americanas para ministros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades:
“Os senhores só pensam na família Bolsonaro, nenhuma preocupação com o Brasil real, com os empregos, com as empresas. Os senhores abandonam a bandeira brasileira, se abraçam ao Trump [Donald Trump, presidente dos Estados Unidos].”
Sobre a pauta, Lindbergh disse que votar a anistia seria se submeter ao presidente dos Estados Unidos:
“Votar a anistia por esse Parlamento é o Brasil virar colônia. Votar a anistia depois de Trump ameaçar e exigir isso é melhor fechar o Parlamento”
Lindbergh defendeu que os deputados que ocuparam a Mesa do Plenário sejam punidos no Conselho de Ética.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto








