07/08/2025 15:59 -
Radioagência
Padovani adianta que relatório sobre acidente da Voepass aponta negligência da empresa
RELATOR DA COMISSÃO EXTERNA SOBRE O ACIDENTE DA VOEPASS ADIANTA QUE RELATÓRIO FINAL APONTA NEGLIGÊNCIA DA EMPRESA. O ACIDENTE, QUE RESULTOU NA MORTE DE 62 PESSOAS, COMPLETA UM ANO NESTE SÁBADO, 09 DE AGOSTO. A REPORTAGEM É DE MARIA NEVES.
O relator da comissão externa da Câmara que analisou o acidente com o avião da Voepass, deputado Padovani (União-PR), adianta que o relatório a ser apresentado na próxima semana traz indícios bastante contundentes de que houve negligência da empresa. No dia nove de agosto, faz um ano que a aeronave, que saiu de Cascavel, no Paraná, com destino à capital paulista, caiu na cidade de Vinhedo, em São Paulo, com um saldo de 62 mortos. O relatório de Padovani deve ser votado no dia 14.
Segundo o relator, mesmo sem a intenção de fazer “uma caça às bruxas”, a comissão concluiu que falhas da Voepass podem ter sido a causa do acidente.
“Nós conseguimos perceber a negligência da empresa, isso ficou nítido, não era a nossa função, mas, infelizmente, muitas denúncias de mecânicos, de ex-funcionários, de pilotos, dizendo de botões, de treinamentos, de peças que eram trocadas. E agora, mais recentemente, uma denúncia anônima que saiu que, na noite anterior, um piloto comunicou que estava com problema já, que nós já tínhamos essa desconfiança de que o aparelho de degelo estava com problema, porque ele foi ligado três vezes durante o voo, ele ligava e desligava, ligava e desligava, por que isso? Porque estava com problema.”
Ainda segundo Padovani, há indícios também de que houve falha dos pilotos por falta de treinamento. Uma das hipóteses para a queda foi a presença de gelo nas asas da aeronave. O deputado afirma que, segundo o manual do avião, quando há gelo nas asas, o piloto não deve fazer curvas com ângulo maior que 15 graus, mas, nesse caso, a manobra teria ocorrido com ângulo de 27 graus.
“Isso também foi uma falha de operação naquele momento. Poderia ter sido evitado. Se estivesse gelo na asa, não funcionou, poderia ter sido evitada aquela queda? Poderia, se tivesse cumprido o manual da curva no grau certo.”
Padovani também adiantou que irá sugerir a votação de dois projetos de lei. Uma dessas propostas, segundo o deputado, vai determinar que, quando uma empresa aérea entrar em recuperação judicial, seja submetida a uma fiscalização mais rigorosa por parte da Agência Nacional de Aviação Civil, Anac.
De acordo com Padovani, quando uma empresa aérea está em dificuldade financeira, é comum que ela crie uma nova empresa para utilizar os espaços que já tem nos aeroportos, mesmo que já esteja sem dinheiro. Aí, segundo afirma, muitas vezes, ela opera com aeronaves sucateadas, com baixa manutenção e sem treinamento adequado. Segundo o deputado, esse era o caso da Voepass, que teve a licença de operação cassada pela Anac em junho deste ano.
“Era visível quem utilizava os aviões da Passaredo e da Voepass que aquilo ia acontecer, eram os aviões com a pior qualidade que nós tínhamos dentro do Brasil. Infelizmente agora, depois dessa tragédia, nós vamos ter que fazer um projeto de lei para que, quando houver alguma empresa em recuperação judicial, que ela seja sócia ou participe de uma outra empresa, a fiscalização tem que ser diferenciada. Ela tem que ter lastro financeiro para poder operar, porque senão ela não vai poder operar no Brasil.”
O outro projeto, já apresentado (PL 5033/24), foi definido por Padovani como “um código de regras” para a aviação civil. A proposta prevê a criação de um comitê formado por instituições públicas e privadas para dar atendimento às famílias de vítimas de acidentes aéreos. O texto também define as competências de cada órgão quando ocorrer um acidente.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








