17/07/2025 14:18 - Saúde
Radioagência
Comissão discute prevenção de quedas em idosos
UMA PROPOSTA EM ANÁLISE NA CÂMARA TRAZ POLÍTICAS PÚBLICAS PARA PREVENIR QUEDAS EM IDOSOS. O ASSUNTO FOI DISCUTIDO EM UM SEMINÁRIO, QUE O REPÓRTER LUIZ CLAUDIO CANUTO ACOMPANHOU.
O Brasil tem pouco mais de 32 milhões de idosos, o que corresponde a quase 16% da população. É um grupo que ganha mais 1 milhão de pessoas por ano. A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara discutiu com especialistas medidas para prevenir quedas acidentais entre os mais velhos. A queda está entre os 10 motivos que mais provocam incapacidade funcional, mas pode ser evitada.
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), do Ministério da Saúde, tem ações de promoção da autonomia e independência dos idosos com medidas coletivas e individuais de cuidado.
A coordenadora de atenção à saúde da pessoa idosa, Lígia Iasmine, afirma que oito entre 10 idosos têm vida independente para atividades cotidianas, o que aumenta a probabilidade de acidentes e de um envelhecimento não saudável.
Nos últimos cinco anos, cresceu quase quatro vezes o número de atendimentos hospitalares decorrentes de quedas. Foram mais de 125 mil atendimentos no período. Neste ano, até abril, foram cerca de 13 mil (13.394) registros.
“Pessoa idosa que teve alguma queda recente, né?, não ignore, vá até a equipe de saúde para identificar que está causando e assim a a equipe fazer a intervenção direcionada necessária para aquilo que está sendo necessário.”
Segundo o Ministério da Saúde, um entre 3 brasileiros com mais de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano e 10% dessas quedas provocam lesões graves. Além de problemas de saúde e acessibilidade, o representante do Ministério de Direitos Humanos, Carlos Eduardo da Silva, afirma que outros motivos para as quedas são as obstruções urbanas, o que viola direitos fundamentais. Ele acrescenta que a negligência no espaço urbano naturaliza situações de risco.
A representante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Isabela Trindade, afirma que exercícios físicos, adaptação do ambiente, educação em saúde e apoio psicossocial são eficazes para reduzir ocorrências, mas afirma que é importante identificar precocemente os idosos com maior chance de sofrer queda, pois muitos daqueles que caem tendem a não relatar o acidente.
“O profissional de saúde precisa saber perguntar, ele precisa saber fazer parte desse rastreio. É uma política pública indispensável, nós sabemos disso.”
“Essas são perguntas simples que a gente tem que fazer nessa porta de entrada e saõ fatores onde a gente pode ter uma intervenção específica, dependendo de como for. A gente sabe que nenhum idoso tem risco zero de queda.”
A Política Nacional de Prevenção de Quedas entre Pessoas Idosas está prevista em um projeto (PL 4376/24), já aprovado na comissão do Idoso. O deputado Luiz Couto (PT-PB), do PT da Paraíba, é autor da proposta e um dos que pediram o seminário. Ele citou o caso de um idoso em seu estado, com 85 anos, que caiu por falta de barras de apoio, e de uma mulher de 78 anos que fraturou o fêmur ao tropeçar em um tapete solto.
“Cada queda representa uma vida transformada, uma fratura que pode levar a imobilidade e, em muitos casos, a morte precoce.
“Não são casos isolados, são a face visível de uma epidemia invisível.”
“A maioria desses acidentes poderia ser evitada com medidas simples, pisos antiderrapantes, iluminação adequada, barras de apoio, e, principalmente, com informação e prevenção.”
A Política Nacional de Prevenção de Quedas entre Pessoas Idosas prevê a adaptação de ambientes e residências, capacitação de cuidadores e profissionais de saúde, campanhas permanentes de conscientização e inclusão da prevenção de quedas na atenção primária de saúde. Mas a representante do Centro Internacional de Longevidade Brasil, Monica Perracini, enxerga dificuldades na implementação dessa política no SUS e no Suas, Sistema Único de Assistência Social.
“O desafio é a implementação no SUS e principalmente, as articulações necessárias com diversos ministérios e pastas, mas eu queria salientar aqui a articulação com o SUAS, uma vez que a gente tem pessoas idosas em diversos equipamentos de assistência social e que a combinação de ações nesses dois grandes sistemas que a gente tem seria de fundamental importância para a gente fazer a prevenção de queda.”
O projeto da Política Nacional de Prevenção de Quedas entre Pessoas Idosas está na Comissão de Saúde.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto








