18/06/2025 13:06 - Saúde
Radioagência
Comissão de Saúde discute impactos da automedicação e a importância da assistência prestada pelas farmácias
A COMISSÃO DE SAÚDE DA CÂMARA DISCUTIU OS IMPACTOS DA AUTOMEDICAÇÃO E A IMPORTÂNCIA DA ASSISTÊNCIA PRESTADA PELAS FARMÁCIAS. NO BRASIL, MAIS DE UM MILHÃO DE PESSOAS É INTERNADA POR ANO POR FALTA DE ATENDIMENTO INICIAL OU MÁ UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS. A REPORTAGEM É DE LUIZ CLÁUDIO CANUTO.
No Brasil, nove entre dez pessoas se automedicam. O país é o quinto maior mercado de medicamentos do mundo.
Os dados, do ICTQ -Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade - juntamente com o Datafolha, foram apresentados em audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados (17) pelo Conselho Federal de Farmácia.
A comissão debateu os impactos da automedicação e a importância da assistência prestada pelas farmácias.
A farmacêutica Walleri Reis, do Conselho Federal de Farmácia, acrescentou outros dados do levantamento do ICTQ e Datafolha e destacou que a dificuldade de acesso à consulta médica no país e até hábitos culturais influenciam na automedicação.
“A média de tempo para uma consulta com um médico é em torno de 57 dias. Isso mostra o quê? Que as pessoas realmente procuram as farmácias para resolver suas questões de saúde. 64% das pessoas acreditam que a prescrição farmacêutica ajuda a reduzir danos da automedicação e 54% confiam na prescrição de farmacêuticos. O que isso mostra pra gente? Que a população confia nesse profissional de saúde. Que a população entende que esse profissional de saúde é o profissional de saúde que está ali muitas vezes mais próximo a suas necessidades.”
Walleri Reis afirma que o SUS gasta R$ 12 bilhões por ano com medicamentos, mas gasta muito mais, R$ 62 bilhões, para reparar danos pelo uso incorreto dos medicamentos.
O número de internações provocado por automedicação foi um alerta deixado pelo presidente da Abrafarma, Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, Sérgio Mena Barreto.
“Um milhão e seiscentas mil pessoas são internadas por ano porque não foram devidamente atendidas inicialmente ou porque não utilizaram medicamento de forma correta. A farmácia e o farmacêutico são os recursos mais subutilizados do sistema.”
Para o presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos, Fábio Basílio, outro problema é a propaganda de medicamentos.
“A propaganda de medicamentos no Brasil é algo absurdo. A gente vê a Araci vendendo ômega 3 na televisão. (...) Desde cedo, o Pelé vendia Vitasay. A propaganda de medicamentos é muito constante. É algo que pode mascarar sintomas e piorar o quadro do paciente."
A representante da Anvisa na audiência, a farmacêutica Flávia Neves Rocha Alves, reconhece a necessidade de mais fiscalização.
“E aí eu acho que tem bastante a ver com a automedicação porque a gente faz a regulamentação, o que o medicamento pode ter para ele ser enquadrado como medicamento isento de prescrição. A gente tem uma norma que regulamenta o controle da propaganda para evitar o uso inadequado, mas, como foi falado, carece de maior fiscalização, carece de maior ação. A gente já emitiu vários alertas.”
Entre os alertas, está o uso indiscriminado de paracetamol, que pode provocar hepatite medicamentosa. Houve a publicação recente sobre o risco de botulismo com o uso de toxina botulímica; o crescimento de pelos em bebês expostos a minoxidil; e o risco de efeito adverso raro de semaglutida, que pode levar à perda da visão.
Um dos eixos estratégicos da Política Nacional de Assistência Farmacêutica está a de estabelecer mecanismos para regulação e monitoramento do mercado de medicamentos e promoção do uso racional de remédios, explica Luiz Henrique Costa, do Ministério da Saúde.
“Mas também existe a automedicação responsável, que deve ser um debate da sociedade, a respeito da autonomia do indivíduo, mas resgatando sempre a possibilidade de uma orientação racional por parte do farmacêutico.”
Autora do pedido para a realização do debate na Comissão de Saúde, a deputada e farmacêutica Alice Portugal (PCdoB-BA), alertou para o risco de aprovação de um projeto no Senado (PL 2158/23) e outro na Câmara (PL 1774/19) sobre permissão de venda de medicamentos em supermercados.
“Aumenta a automedicação ou não aumenta a automedicação? Essa é uma discussão que precisamos pôr o dedo na ferida.”
A deputada é contra a venda em supermercados. Para ela, o farmacêutico pode contribuir na promoção do uso racional de medicamentos e lembra que a Organização Mundial da Saúde considera a farmácia um serviço indispensável na relação entre paciente e medicamento.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto








