12/06/2025 15:27 - Saúde
Radioagência
Comissão de Saúde discute desafios ao tratamento da obesidade no Brasil
A COMISSÃO DE SAÚDE DA CÂMARA DISCUTIU OS DESAFIOS AO TRATAMENTO DA OBESIDADE NO BRASIL. NOS ÚLTIMOS 40 ANOS, O NÚMERO DE CRIANÇAS OBESAS NO PAÍS AUMENTOU 10 VEZES. QUEM INFORMA É O REPÓRTER LUIZ CLÁUDIO CANUTO.
Quase 70% da população brasileira têm sobrepeso e um entre três é obeso. Entre crianças de 5 a 10 anos, uma em cada 20 tem obesidade grave (5,22%). Uma em 10 tem obesidade (9,38%) e uma entre seis crianças está acima do peso (16,33%). Ao longo de 40 anos, o número de crianças obesas aumentou 10 vezes.
A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados discutiu (12) os desafios relacionados ao diagnóstico e ao tratamento da obesidade no Brasil com especialistas no assunto.
Os dados sobre a obesidade infantil foram apresentados pela presidente do Vozes do Advocacy, Vanessa Pirolo. A Advocacy é uma federação que reúne 27 associações e institutos voltados ao diabetes e obesidade. Vanessa desmistifica o que se fala sobre o assunto, de que basta fechar a boca e fazer atividade física.
“As pessoas precisam ter noção de que a obesidade é multifatorial e que a obesidade precisa ter um tratamento multisciplinar, o que realmente não acontece no Brasil, porque muitas pessoas não conseguem ter acesso no SUS a essa equipe multidisciplinar.”
“Essa pessoa só não vai ter obesidade, mas boa parte dessa população vai ter outras doenças e que isso, inclusive, vai onerar imensamente o SUS.”
A Conitec, Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, abriu uma consulta pública (Consulta pública 46/20025) para receber até 30 de junho a opinião da população a respeito da inclusão da semaglutida nos serviços de saúde para pacientes com obesidade, que tenham histórico de doença cardiovascular e mais de 45 anos. A substância é o princípio ativo de medicamentos como o Ozempic e Wegovy, conhecidos como canetas emagrecedoras.
Segundo a coordenadora-Geral de Prevenção às Condições Crônicas na Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Aline Lima Xavier, a inclusão dos medicamentos vem sendo discutida também pela secretaria. Ela destacou que o SUS, nos últimos dez anos, realizou mais de 86 mil cirurgias bariátricas e 11 mil reparadoras.
“O financiamento das cirurgias eletivas é uma pauta da Secretaria de Atenção Especializada. É assim, é uma doença multifatorial e tem a ver com o modo de viver das pessoas. E aí a gente precisa também dar um passo atrás e pensar como promover saúde nessa perspectiva.”
A presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Maria Edna de Melo, lembra que o tratamento de obesidade no SUS é norteada por duas portarias de 2013 (Portarias 423 e 424, de 2013) que tratam da doença, desde a atenção primária à cirurgia. Centros para realização de cirurgia foram criados e há acompanhamento por dois anos dos pacientes operados.
28m26 “Esse tempo de dois anos não bate. Então se elas vão viver mais, o que vai acontecer com ela depois desses dois anos? Então é uma portaria que acabou não sendo implementada em toda sua totalidade, porque, na minha percepção, ela foi uma portaria feita para aumentar o número de cirurgias e que não foi pra fazer o cuidado global do paciente com obesidade usuário do SUS.”
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Juliano Blanco Canavarro, também alertou sobre o número insuficiente de pacientes atendidos pela cirurgia bariátrica nos últimos anos. Segundo ele, entre 2020 e 2024, cerca de 30 mil cirurgias foram realizadas pelo SUS, o que correspondente a 1% dos pacientes elegíveis no período.
“É como se eu chegasse a uma plenária cheia de mulheres, como citaram, pacientes obesas, ‘eu detectei aqui que as senhoras têm câncer de mama, mas eu vou operar apenas 1% das senhoras, 99% a gente vai dar uma proteladinha no tratamento’. Se você atrasa o tratamento, você vai pegar esse doente mais grave, esse doente mais complicado e de mais difícil resolução.”
A nutricionista do Hospital Oswaldo Cruz Tarcila Ferraz de Campos chamou atenção para a importância da atividade física e alimentação saudável. Cerca de 20% das calorias consumidas no Brasil vêm de alimentos ultraprocessados, e o consumo de alimentos básicos vem diminuindo.
A obesidade é um dos principais problemas de saúde do mundo, atinge mais de 1 bilhão de pessoas, e causa outros problemas, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares.
O debate sobre obesidade, na Comissão de Saúde da Câmara, foi conduzido pela deputada Meire Serafim (União-AC).
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto








