11/06/2025 14:30 - Transportes
Radioagência
Roubo de cargas diminui, mas continua sendo desafio no país
O ROUBO DE CARGAS NO PAÍS DIMINUIU, MAS CONTINUA SENDO UM DESAFIO NA LOGÍSTICA DO TRANSPORTE, SEGUNDO REPRESENTANTES DO VIGÉSIMO QUARTO SEMINÁRIO BRASILEIRO DO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS. O EVENTO É PROMOVIDO PELA COMISSÃO DE VIAÇÃO E TRANSPORTES DA CÂMARA. O REPÓRTER LUIZ CLÁUDIO CANUTO ACOMPANHOU.
O roubo de cargas caiu 11% no Brasil entre 2023 e 2024, mas ainda é um desafio para o transporte de mercadorias pelo país. Os números foram apresentados pelo representante da ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, José Aires Amaral Filho, em seminário na Câmara dos Deputados (11).
Promovido pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara, o Seminário Brasileiro do Transporte Rodoviário de Cargas está na vigésima quarta edição.
No Brasil, cerca de 65% das cargas são transportadas por rodovias. São 813 mil transportadores cadastrados, que fazem mais de 6 milhões de viagens intermunicipais e interestaduais por mês, segundo José Aires.
O técnico da ANTT informou que, apesar da redução nos roubos nas estradas, a análise de risco feita pelas empresas desde a pandemia fez cair a margem de lucro do setor. Além disso, uma lei de 2023 (Lei 14.599/23) estabeleceu novas regras para seguros para transporte de carga. As empresas passaram a ser obrigadas a fazer três seguros. José Aires afirma que as estatísticas sobre furtos e roubos de cargas podem estar distorcidas por problemas de caracterização do crime.
“Existe uma dificuldade muitas vezes conceitual do que seria carga, pequenas cargas, pequenos roubos, furtos e isso acaba prejudicando até mesmo as estatísticas e o planejamento da segurança pública, e também a integração.”
Presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), Eduardo Rebuzzi afirmou que 14% da receita das empresas são usados em prevenção a roubo.
“Como rastreamento, bloqueador, blindagem elétrica, blindagem de aço, escolta, seguros pesados, tudo isso as empresas procuram fazer, mas tem uma hora em que quem tem que resolver o problema realmente é o poder público.”
Citando dados da associação de logística, o presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara, deputado Mauricio Neves (PP-SP), do PP de São Paulo, destacou que o transporte de cargas perdeu em 2024 mais de 1 bilhão de reais em mercadorias roubadas.
“Solicitei a equipe técnica que levantasse todos os projetos de lei que apontavam caminhos para combater o roubo de cargas para que, num esforço de todos os parlamentares, possamos dar uma resposta à sociedade e combater a criminalidade. Queremos dobrar a punição para quem quer adquirir ou vender produtos oriundos de cargas roubadas”
O deputado apresentou projeto (PL 1743/25) que prevê regras gerais de proteção ao consumidor contra a receptação de produtos furtados ou roubados colocados à venda em território nacional.
Para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que participou da abertura do seminário, o transporte rodoviário de cargas move a economia e assegura a competitividade da produção nacional.
“Por isso, discutir suas demandas e desafios é também discutir o futuro da logística nacional. É pensar em infraestrutura adequada, estradas seguras, investimentos sustentáveis e na valorização dos profissionais que enfrentam todos os dias longas jornadas para que o Brasil continue funcionando.”
Secretária nacional de transporte rodoviário, do Ministério dos Transportes, Viviane Esse disse que, no início do governo, apenas 53% das rodovias federais estavam em condições boas ou ótimas. Atualmente o índice está em quase 80%.
3m “Isso é redução de custos para o transportador e é segurança para os usuários, mas nós precisamos também, além do investimento público, atrair investimento privado.”
Ela anunciou que no dia 26 de junho haverá o 14º leilão de concessões de rodovias federais. Já estão contratados em investimentos privados 158 bilhões de reais. Os recursos devem diminuir o custo do transporte, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Citando uma pesquisa feita pela CNT, Confederação Nacional do Transporte, em 2024, Viviane Esse destacou que as duas regiões têm quase 40% do custo de transporte maior do que a média nacional por causa de falta de infraestrutura.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto








