28/05/2025 14:34 - Comunicação
Radioagência
Relator defende que Câmara decida sobre possível proibição de tarifa por tráfego de dados
RELATOR DEFENDE QUE CÂMARA DECIDA SOBRE POSSÍVEL PROIBIÇÃO DE TARIFA POR TRÁFEGO DE DADOS PARA PROVEDORES DE CONTEÚDO. A REPÓRTER NOELI NOBRE ACOMPANHOU A DISCUSSÃO DO ASSUNTO.
O relator do projeto de lei (PL 469/24) que proíbe a tarifação pelo uso intensivo da rede por provedores de conteúdo, deputado Fausto Pinato (PP-SP), disse que construirá um relatório para o assunto a partir da opinião de diversos especialistas na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados.
O ponto que ele adiantou é que não vai deixar para a Anatel, Agência Nacional de Telecomunicações, decidir se provedores de conexão de internet, que são as operadoras de telecomunicações, poderão ou não instituir a cobrança de tarifa para os provedores de conteúdo, como plataformas de streaming e redes sociais, para custear a infraestrutura das redes.
“É injusto para um lado a cobrança. Mas também, se não tiver alguma coisa, pode deteriorar [o sistema], mas desde que seja algo justo e equilibrado. Não vou deixar, no meu relatório, a Anatel dar as cartas.”
Uma parte dos especialistas ouvidos condenou a instituição de uma taxa de tráfego com o argumento de que sobrará para o consumidor o pagamento da conta. Alguns convidados, no entanto, ponderaram que seria melhor buscar um meio termo que garanta a sustentabilidade de um sistema que envolve operadoras de telecomunicações, grandes empresas de conteúdo e consumidores.
O ex-deputado Alessandro Molon, que representou a Aliança pela Internet Aberta, disse que a taxa representaria uma dupla cobrança e beneficiaria operadoras de telecomunicações que já ganham com o modelo atual.
“Se a taxa for criada, quem vai perder acesso, quem vai ser excluído é o consumidor de baixa renda. O streaming, se ele tiver que pagar para ser assistido para uma operadora, isso vai entrar na fatura dele.”
Do outro lado, Fernando Soares, da Conexis Brasil Digital, disse que o tráfego de dados tem base imensa e continua crescendo, o que requer investimentos que garantam qualidade e conectividade. Ele destacou que apenas quatro empresas – Meta, Alphabet, Netflix e TikTok –são responsáveis por 72% do tráfego de dados na rede móvel e 52% na banda larga fixa.
“O que a gente quer é que a Câmara estabeleça claramente os contornos de uma negociação e que essa negociação permita o financiamento dos investimentos necessários para o provimento de infraestrutura.”
A expectativa do presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, deputado Ricardo Barros (PP-PR), é votar o relatório de Fausto Pinato ainda em junho.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Noéli Nobre








