28/05/2025 14:11 - Saúde
Radioagência
Sessão solene pelo Dia Mundial Sem Tabaco aponta riscos do cigarro eletrônico
31 DE MAIO É O DIA MUNDIAL SEM TABACO. A DATA FOI LEMBRADA ANTECIPADAMENTE EM UMA SESSÃO NO PLENÁRIO DA CÂMARA EM QUE O ALERTA PRINCIPAL FOI PARA OS RISCOS DO CIGARRO ELETRÔNICO. A REPORTAGÉM É DE LUIZ CLÁUDIO CANUTO.
O combate ao vício dos cigarros eletrônicos foi o destaque de uma sessão solene na Câmara dos Deputados sobre o Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. A data, criada pela OMS, Organização Mundial da Saúde, chama atenção para as mortes provocadas pela epidemia do tabaco e as estratégias da indústria.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, Ricardo Amorim, o tabagismo é o principal causador de mortes evitáveis. São mais de 400 mortes por dia e 160 mil mortes por ano no Brasil - um país, que, ainda assim, é referência no combate ao tabagismo. Na década de 80, mais de 37% da população adulta era fumante, atualmente são 9,3%.
“O Dia Mundial Sem Tabaco hoje se refere muito a essa nova forma de apresentação de nicotina, que tem atraído a atenção de muitos jovens. E os jovens, como todos nós sabemos, tem aquela parte do seu amadurecimento que é de se mostrar com autonomia, com teste de autonomia, de se mostrar como pessoa que cuida de si mesmo, sem depender de outros.”
Os novos dipositivos de fumar tem roupagem diferente, formas de inalação menos agressiva para as pessoas ao redor do fumante, sabores atraentes.
A deputada Flávia Morais (PDT-GO), uma das deputadas que pediu o debate, alerta que 1 entre 5 adolescentes do ensino médio já experimentou cigarro eletrônico, que tem mais nicotina e metais pesados.
A sessão solene contou com o depoimento de Laura Beatriz Nascimento, de 26 anos, que, em dezembro do ano passado, descobriu câncer no pulmão. Ela fumava há dez anos.
“Fumava tabaco, fumava pod, os cigarros eletrônicos. E desde que eu estava internada, que eu precisei fazer uma cirurgia para tirar metade do pulmão direito, eu fiquei me perguntando e pensando: quem dos meus amigos que não fuma. E eu não consegui pensar em literalmente ninguém. Todos os meus amigos fumam. E desde então eu pensei ‘ah, eu acho que talvez eu deva começar a postar um pouco de minha história, tanto no meu Instagram quanto no meu Tiktok para incentivar as pessoas a terem hábitos mais saudáveis. E hoje faz 5 meses e alguns dias que eu não fumo mais. Desde a cirurgia eu parei. Fumei até dois dias antes da cirurgia. E desde então, estou livre.”
O exemplo de Laura Beatriz mostra que as companhias influenciam, como ressalta a coordenadora do Projeto Tabaco da ACT Promoção da Saúde, Mariana Pinho. Ela ressalta estratégias da indústria para atrair esse público como aditivos, aromas diferentes e sabores usados em cigarros narguilé, que não são necessariamente repulsivos a quem está perto do fumante.
“As aspas que eu vou usar aqui são de uma empresa de tabaco. Então eles diziam o seguinte. ‘várias crianças, quando elas começam, não gostam do sabor do cigarro, e elas começam a tossir, mas um cigarro com sabor, digamos, de cereja, pode parecer melhor, e pode matar o gosto ruim do cigarro para eles e eles começarem a fumar mais cedo.’”
O documento é de um processo judicial sobre as ações da indústria de cigarro nos Estados Unidos.
A jornalista Silvia Poppovic também trouxe um depoimento marcante. Ela começou a fumar com 15 anos de idade e afirma que foi vítima de campanhas que mostravam que fumar era algo glamuroso. Ela sabia que fazia mal e parou de fumar por vaidade.
“Foi uma questão de vaidade, gente. Eu digo pra vocês que foi isso que me convenceu de que eu tinha que parar de fumar, não foi o fato de o cigarro matar, o fato de o cigarro trazer câncer, todos esses números que vocês trouxeram aqui, eu sabia disso, mas não era o suficiente para me fazer parar. Então quando eu vejo essa moçada com esse vape, eu falo: essas pessoas não vão ter o mesmo argumento que eu tive para parar de fumar. Eu parei pela vaidade, e elas não cheiram mal.”
Desde 1996, uma lei (Lei 9294/96) restringe o uso do cigarros em ambientes fechados e propaganda de cigarros e outras drogas. Já os cigarros eletrônicos são proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A deputada Flávia Morais é autora de um projeto (PL 949/24) que cria o Plano Nacional de Atenção à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, que traz diretrizes para o acompanhamento da doença. A relatora da proposta na Comissão de Constituição e Justiça também pediu a sessão solene. É a deputada Gisela Simona (União-MT), que é autora de um projeto (PL 4888/23) que proíbe o comércio, importação e propaganda de cigarros eletrônicos no país.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto








