27/05/2025 16:05 - Economia
Radioagência
Receita Federal afirma que municípios não vão perder com as mudanças no Imposto de Renda
RECEITA FEDERAL AFIRMA QUE MUNICÍPIOS NÃO VÃO PERDER COM AS MUDANÇAS NO IMPOSTO DE RENDA. A REPÓRTER SILVIA MUGNATTO ACOMPANHOU A REUNIÃO DA COMISSÃO QUE ANALISA A PROPOSTA.
Para o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, os estados e municípios não vão perder arrecadação em razão das mudanças no Imposto de Renda que vão aumentar a faixa de isenção e taxar mais as rendas mais altas (PL 1087/25). Ele disse aos deputados da comissão especial da Câmara que analisa a proposta que os municípios deverão ter um ganho de R$ 19,7 bilhões este ano com a distribuição de impostos federais feita pelo Fundo de Participação dos Municípios.
Barreirinhas disse que os municípios perdem com uma retenção menor de imposto dos salários dos servidores que ganham até R$ 7 mil. A proposta isenta até R$ 5 mil e reduz o imposto para os que ganham entre isso e R$ 7 mil. Mas o secretário disse que essa perda seria de R$ 3 bilhões, sendo que os municípios também devem ganhar com a tributação extra das rendas mais altas.
No caso dos estados, as contas da Receita mostram um aumento do Fundo de Participação dos Estados de R$ 13,8 bilhões este ano, enquanto as perdas com a redução da retenção seriam de R$ 1,5 bilhão. O secretário ainda comentou outro tipo de ganho de estados e municípios:
“Porque quando alguém que ganha R$ 5 mil deixa de pagar qualquer imposto, esse valor volta para a economia imediatamente, na compra de bens, na compra de serviços, o que se reflete hoje em ISS e ICMS e vai se refletir em IVA, em IBS, agora o Imposto sobre Bens e Serviços da reforma tributária, diretamente para os cofres estaduais e municipais.”
Mas o deputado Mário Heringer (PDT-MG) afirmou que não dá para contar com esse cenário:
“O município tem que ter a sua receita certa, líquida e compensada a partir desse projeto. Porque a gente aceitar que uma compensação será feita pela demanda, pela ação das pessoas com o que restou no seu bolso, necessariamente isso não é verdade, não vai ocorrer. A gente não tem como medir esse negócio.”
O relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL), também questionou o secretário sobre um possível excesso de arrecadação com a tributação dos contribuintes de alta renda. Robinson Barreirinhas explicou que no médio prazo não haverá excesso porque as empresas poderão ser restituídas caso a tributação dos sócios somada a das empresas supere 34%.
Segundo o secretário, apenas 2,2% das pessoas que recebem dividendos serão atingidas pelo chamado imposto mínimo que será criado pelo projeto. A ideia é tributar em pelo menos 10% quem ganha mais de R$ 1,2 milhão. A alíquota média da alta renda é hoje de 2,5%.
O governo detalhou as faixas dos contribuintes de alta renda e refez os cálculos da arrecadação com a taxa mínima. Foi encontrada uma arrecadação de R$ 22,2 bilhões em vez do total de R$ 25,2 bilhões divulgado anteriormente. São 137.807 pessoas, sendo que 3 delas ganham mais que R$ 1 bilhão por ano.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, sugeriu um aumento de 0,5 ponto percentual no Fundo de Participação dos Municípios para compensar as perdas relativas à redução da retenção. Pelas contas da entidade, elas seriam de quase R$ 5 bilhões.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Silvia Mugnatto








