09/04/2025 18:31 - Assistência Social
Radioagência
Cai o índice de desnutrição entre idosos, mas problema ainda preocupa, afirmam especialistas
CAI O ÍNDICE DE DESNUTRIÇÃO ENTRE IDOSOS, MAS PROBLEMA AINDA PREOCUPA, AFIRMAM ESPECIALISTAS. A REPÓRTER MARIA NENES ACOMPANHOU DEBATE SOBRE O TEMA NA CÂMARA.
Em audiência pública sobre as causas da desnutrição entre pessoas idosas no Brasil, a coordenadora-técnica do Conselho Federal de Nutrição, Ana Flávia Rezende, relatou que atualmente cerca de 20% dos idosos brasileiros estão em situação de insegurança alimentar. Em 2018 eram 24%.
A reunião foi realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa a pedido do deputado Luiz Couto (PT-PB).
De acordo com as debatedoras, o nível de desnutrição na população idosa é menor que o índice observado no restante dos brasileiros. As consequências do problema, no entanto, são mais graves para os idosos.
Como explicou Ana Flávia Rezende, as mudanças fisiológicas próprias do envelhecimento já acarretam perda de massa muscular, problema agravado pela má nutrição. Segundo a especialista, além de diminuir a mobilidade e a independência dos idosos, a redução da massa magra, chamada de sarcopenia, está relacionada ao aumento de doenças crônicas, como hipertensão, e pior resposta ao tratamento de doenças como o câncer.
“A sarcopenia, num paciente obeso, ela é extremamente grave, porque toda a funcionalidade dele vai ficar comprometida. Levantar da cama passa ser um problema, tirar as pernas do chão para cima da cama, passa ser um problema, porque você tem um excesso de peso, mas não tem massa magra para poder movimentar esse corpo.”
A coordenadora de alimentação saudável do ministério que cuida do combate à fome, Bruna Pitasi, relatou que caiu o porcentual de idosos com baixo peso no país. Hoje, 12% da população idosa estão abaixo do peso considerado saudável. Em 2009, esse índice chegava a 18%. Em compensação, cresceu o número de idosos com sobrepeso ou obesidade, problema que já atinge 51% dessa população.
Mas também entre os idosos com maior porcentual de gordura pode persistir a desnutrição e a perda de massa muscular, como explicou Ana Flávia Rezende. Obesidade ou sobrepeso, inclusive, podem ser fatores que dificultam o diagnóstico de desnutrição, conforme esclareceu a representante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Simone Fiebrantz Pinto.
“Muitas vezes a gente olha clinicamente o paciente idoso, a comunidade idosa, com sobrepeso e obesidade, e a gente acaba pensando que tem reserva nutricional. E muitas vezes a gente tem, na sua maioria, o idoso obeso sarcopênico. Então, ele tem uma gordura acumulada, mas ele não tem massa muscular adequada para ele poder realizar as atividades de vida diária, serem independentes, garantir a sua autonomia.”
O crescimento da obesidade entre idosos, segundo afirmaram todas as palestrantes, está relacionado ao aumento do consumo de alimentos ultraprocessados. Dentre os fatores que contribuem para essa mudança de hábito alimentar, as especialistas ressaltaram a facilidade no preparo e o preço menor.
Dentre as medidas que podem melhorar a nutrição da população idosa, Simone Fiebrantz Pinto, destacou a importância da atuação das equipes de saúde da família no diagnóstico precoce, de modo a intervir e impedir complicações da saúde e hospitalizações.
A representante da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia também defendeu a aprovação de um projeto de lei em análise na Câmara que prevê a oferta gratuita de suplementação nutricional para idosos diagnosticados com desnutrição no Sistema Único de Saúde (PL 4729/24). De acordo com a médica, a suplementação reduz em quase 40% a mortalidade de pacientes.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








