03/04/2025 17:52 - Segurança
Radioagência
Comissão aprova avaliação periódica da saúde mental de agentes de segurança
COMISSÃO APROVA AVALIAÇÃO PERIÓDICA DA SAÚDE MENTAL DE POLICIAIS. A REPÓRTER ISABELA LUDUVICHACK TEM OS DETALHES DA MEDIDA.
A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou um projeto (PL 3744/24) que determina a avaliação periódica da saúde mental de agentes de segurança pública. A medida inclui as polícias federal, rodoviária, civil e militar, bombeiros, guardas municipais e agentes penitenciários.
O projeto, apresentado pelo deputado Pedro Aihara (PRD-MG), que é bombeiro, prevê que a primeira avaliação mental dos agentes será feita no início do curso de formação da carreira e, depois, periodicamente, com intervalo máximo de dois anos. Caso algum problema seja identificado, o profissional deve ser encaminhado para acompanhamento psicológico pela própria corporação.
Relator na proposta, o deputado Sargento Portugal (Podemos-RJ) defende que o estado brasileiro deve oferecer suporte à saúde mental desses profissionais. Segundo ele, os agentes da segurança pública enfrentam dificuldades para pedir apoio a suas corporações.
“A questão do suicídio dentro das forças de segurança é um tema que infelizmente ainda é tratado como um tabu pelas corporações. Porque elas não querem assumir que a tropa não está doente. Elas estão se tratando como máquinas. Não há divulgação desses casos. Não há um reconhecimento oficial do problema. Isso impede qualquer avanço real na prevenção.”
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o aumento das taxas de suicídio entre os policiais superam as mortes em combate. Em 2023, foram 118 profissionais civis e militares que tiraram a própria vida, enquanto 107 morreram em enfrentamentos.
Em entrevista ao programa Painel Eletrônico, da Rádio Câmara, o deputado Sargento Portugal destacou as condições de trabalho que vivem os policiais do país.
“Os fatores que levam a esse aumento de suicídio são muitos. Começa pelas péssimas condições de trabalho, as escalas extenuantes, assédio moral e assédio sexual, salários baixos, benefícios insuficientes e perseguições dentro da própria hierarquia. Soma-se isso a constante exposição à violência, enfrentamento diário com a morte, o estresse de estar sempre no limite, isso tudo cobra um preço muito alto na saúde mental dos policiais.”
Segundo ele, o maior desafio é desfazer a idealização do perfil do super-herói dos policiais, para que a própria instituição de segurança pública reconheça a necessidade da avaliação periódica de saúde mental desses agentes.
“Combater o crime, a gente já sabe. A gente faz um juramento com a própria vida. Agora, você não conseguir combater dentro da tua própria instituição o teu esgotamento físico e mental, eu acho que é o maior desafio que nós temos hoje.”
A proposta que prevê o acompanhamento periódico da saúde mental dos profissionais de segurança pública em todo o país ainda precisa de avaliação nas comissões de Saúde e de Constituição e Justiça.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Isabela Luduvichack.








