26/03/2025 21:14 - Economia
Radioagência
Gestores apontam as compras públicas como instrumento estratégico da reindustrialização do Brasil
GESTORES APONTAM AS COMPRAS PÚBLICAS COMO INSTRUMENTO ESTRATÉGICO DA REINDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL. O REPÓRTER JOSÉ CARLOS OLIVEIRA NOS CONTA COMO FOI A DISCUSSÃO COM DEPUTADOS NO CENTRO DE ESTUDOS DA CÂMARA.
Gestores de vários ministérios apontaram o poder de compra de União, estados e municípios como elemento fundamental para alavancar a indústria nacional, estagnada nas últimas décadas. O tema foi debatido (em 26/03) em audiência do Centro de Estudos e Debates Estratégicos (CEDES) da Câmara dos Deputados. André Rauen, assessor especial da ABDI, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, disse que a atual conjuntura internacional reforça o papel das compras públicas na economia.
“O timing geopolítico internacional é perfeito para falar de compra pública. Os movimentos do governo Trump e do governo chinês mostram que o poder de compra não é só mais um elemento: ele é peça central. Então, o momento é esse para a gente executar coisas mais contundentes”.
A ABDI é ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. André Rauen é responsável pelo setor de apoio às compras públicas, sobretudo nas áreas de inovação tecnológica. Ele deixou o claro o desafio inicial a ser superado.
“A gente tenta vencer o ‘apagão das canetas’. Hoje as compras públicas representam 9% do PIB: é o nosso último dado de 2019. Isso dava R$ 710 bilhões. E aí eu estou falando de estados, municípios, união e empresas estatais. A Petrobras está voando em termos de compras públicas para a inovação”.
Rauen avalia que esse “apagão das canetas” só será superado por meio de um programa nacional de capacitação do comprador público nos três níveis da administração pública. Atualmente, as compras públicas são incentivadas em leis federais, como a de licitações e contratos administrativos (Lei 14.133/21).
Júlia Mascarello, do Ministério da Fazenda, citou orientação parecida presente no Plano de Transformação Ecológica do governo federal, que estimula a bioecomonia com exigência de conteúdo local na produção. Emílio Chernavisky, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, lembrou de recentes resoluções que ampliam a “margem de preferência” de produtos nacionais nas áreas de medicamentos, equipamentos de áudio e vídeo e de metroferroviários.
“A aplicação da margem é obrigatória para toda a administração direta, autárquica e fundacional e para os outros entes, quando eles usam recursos de convênios”.
Chernavisky também detalhou as atividades da Comissão Interministerial de Contratações Públicas para Desenvolvimento Sustentável (CICS), criada por decreto no ano passado. Há uma outra comissão em atividade (CIIA-PAC) com foco exclusivo em estimular as compras públicas no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento, principalmente nos eixos de mobilidade urbana, transição energética e habitação (Minha Casa, Minha Vida). Diretor da área no Ministério do Desenvolvimento, Rafael Codeço garantiu que há outros instrumentos do BNDES e da FINEP para ampliar o financiamento e a pesquisa de conteúdo nacional dentro do Programa Nova Indústria Brasil (NIB).
“A compra pública é apenas um dos vetores, a gente tem que alinhar todos os outros para que eles apontem na mesma direção e potencializem as capacidades estatais para fomentar o desenvolvimento industrial”.
Ao longo da audiência, os gestores públicos pediram aprovação de propostas em análise no Congresso Nacional, como as que tratam de margens de preferência de acordo com critérios de sustentabilidade (PL 1086/24 – está no Senado) e margem de preferência nas empresas estatais (PL 5638/23). O CEDES da Câmara dos Deputados quer contribuir nesse processo por meio do aperfeiçoamento da legislação. Os deputados Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) e Dr. Luiz Ovando (PP-MS) devem divulgar um relatório sobre o tema no segundo semestre. Mendonça Jr explicou o objetivo.
“Nós sabemos que a nossa indústria já representou mais de 30% do PIB nacional, hoje representa menos de 10%. Pretende-se aqui intensificar a necessidade de eventuais alterações na legislação para que as melhores práticas possam ser colocadas em termos de utilização e as compras governamentais sejam aplicadas de maneira generalizada em nosso país para fomentar a reindustrialização brasileira, a transição energética e a descarbonização”.
Após audiência pública, houve reunião técnica entre os gestores dos ministérios e os consultores legislativos da Câmara para alinhavar futuras propostas legislativas.
Da Rádio Câmara, de Brasília, José Carlos Oliveira








