19/03/2025 10:34 - Saúde
Radioagência
Obesidade é epidemia mundial e exige ações de prevenção e tratamento
OBESIDADE É EPIDEMIA MUNDIAL E EXIGE AÇÕES DE PREVENÇÃO E TRATAMENTO. O TEMA FOI DEBATIDO EM SESSÃO NA CÂMARA COM ESPECIALISTAS E PARLAMENTARES. A REPORTAGEM É DE MÔNICA THATY.
Participantes de uma sessão solene na Câmara dos Deputados (18/3) concordaram que a obesidade já se tornou uma epidemia mundial e ressaltaram as sugestões da OMS, Organização Mundial de Saúde, para prevenir e tratar a doença. O debate foi convocado para marcar o Dia Mundial da Obesidade, lembrado sempre em março (4/3).
A obesidade é uma doença crônica, capaz de provocar inúmeras outras enfermidades e que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, independentemente de idade, gênero ou condição social.
O deputado Sargento Portugal (Podemos-RJ), presidiu a sessão e destacou que um em cada cinco brasileiros enfrenta problemas com excesso de peso e a tendência é a expansão desses números, conforme dados do Atlas Mundial da Obesidade.
“Até 2035, o Brasil deve ter cerca de 127 milhões de adultos com alto índice de massa corporal, o IMC. O Brasil pode ter até 50% das crianças e adolescentes entre 5 a 19 anos com obesidade ou sobrepeso. Em 2019 ocorreram 177.929 mortes em decorrência de doenças não transmissíveis atribuídas à obesidade, como diabetes, doença arterial, coronariana, AVC, acidente vascular cerebral e câncer”.
A OMS defende algumas estratégias, como ações de incentivo às práticas saudáveis desde os primeiros dias de vida.
O deputado Dr. Zacharias Calil (União-GO), está de acordo com as recomendações e ressalta que a doença é um grave problema de saúde pública e não apenas uma questão estética ou de estilo de vida.
“O combate à obesidade exige uma abordagem multidisciplinar e políticas públicas efetivas. Precisamos ampliar as campanhas de prevenção e educação sobre alimentação, incentivar e facilitar o acesso à prática de atividades físicas em escolas, locais de trabalho e espaços públicos. Regulamentar a publicidade de alimentos ultraprocessados, principalmente aqueles voltados para crianças e adolescentes. Garantir uma rede de atendimento adequada para o tratamento da obesidade, incluindo suporte médico, nutricional e psicológico”.
Já a médica endocrinologista Lívia Lugarinho Correia de Mello ressalta que o único tratamento disponível para tratamento da obesidade, no âmbito do SUS, é a cirurgia bariátrica.
Apesar de ser uma medida importante, a médica lembra que são necessárias outras ações para combater a doença, que é crônica, tem uma fisiologia complexa, e envolve fatores genéticos e ambientais, sendo necessária a combinação de mudanças de estilo de vida juntamente com o uso de medicamentos específicos.
“Nesse contexto, a terapia farmacológica com medicações anti-obesidade são complementares. É importante reforçar que elas não substituem, elas não competem. Assim como as causas da doença são multifatoriais, as soluções também precisam ser. Os estudos mostram que a associação de ambos os tipos, tratamento farmacológico e não farmacológico, contribui para manutenção no longo prazo”.
Lívia Lugarinho acrescenta que os gastos com prevenção são vantajosos, pois os custos com obesidade e as suas complicações, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alguns tipos de câncer, e outras patologias, podem vir a comprometer até 3,3% do PIB global nos próximos dez anos.
O presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade, Fábio Trujilho, também ressalta a necessidade de se combater o estigma associado às pessoas acima do peso e que, muitas vezes, dificulta a busca pelo tratamento. Ele destacou que 31% dos brasileiros estão com obesidade e 68% dos adultos estão acima do peso.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Mônica Thaty.








