28/11/2024 17:15 - Agropecuária
Radioagência
Sistemas agrícolas indígenas podem ajudar a combater crise climática
COMISSÃO DISCUTE COMO SISTEMAS AGRÍCOLAS INDÍGENAS PODEM AJUDAR A COMBATER CRISE CLIMÁTICA. A REPÓRTER MÔNICA THATY ACOMPANHOU.
O uso de sistemas agrícolas indígenas como opção para enfrentar a crise climática foi tema de debate na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados.
Segundo os debatedores, a valorização do cultivo tradicional indígena é essencial para preservar a biodiversidade e manejar os recursos naturais de modo sustentável, além de ajudar a enfrentar os desafios climáticos, como a emissão de gases de efeito estufa.
A autora do requerimento, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), destaca que muitos dos conhecimentos acumulados pelos indígenas se perderam ao longo do tempo e que é preciso resgatar essa sabedoria para lidar com a crise climática.
“Embora essa Casa, esse Congresso Nacional continue privilegiando o agronegócio, não tributando agrotóxicos, na verdade, para mim, a pessoa mais rica é aquela que produz a sua própria alimentação. Uma alimentação sem veneno, que não adoece, pensada na nossa saborania alimentar, que é um sabor que conecta a identidade. Nós não queremos somente encher a barriga. Nós não queremos perder a conexão com a nossa tradição”.
Leosmar Antônio Terena, coordenador de Promoção do Bem Viver Indígena, do Ministério dos Povos Indígenas, alerta que, por trás da tese do marco temporal, há a intenção de se instalar atividades de alto impacto ambiental nos territórios indígenas.
O marco temporal para demarcações de terras indígenas está sendo discutido no Congresso e no Supremo Tribunal Federal, e a tese a que Terena se opõe é a de que apenas terras ocupadas no momento da aprovação da Constituição de 1988 poderiam ser demarcadas.
Terena afirma que adotar a agroecologia indígena é fundamental para evitar o colapso da humanidade e trazer equilíbrio à questão ambiental e climática. Segundo ele, isso está fundamentado na ciência.
“O último relatório do painel intergovernamental de mudanças climáticas, comunidade científica da ONU, trouxe de forma muito enfática que os conhecimentos dos povos indígenas de manejo do solo, das águas, das florestas, é um mecanismo estratégico para a enfrentação da desertificação, da insegurança alimentar, para combater a insegurança alimentar, e das mudanças climáticas. Mas no próprio relatório reafirma também que a efetivação dos direitos territoriais dos povos indígenas é fundamental para que esses conhecimentos, esses saberes ancestrais possam ser preservados”.
O coordenador da área de Produção Sustentável da Funai, Leiva Martins Pereira, considera que o Brasil está em um momento histórico de reconstrução e de retomada das políticas públicas, incluindo a pauta agroecológica.
Para o representante da Funai, a agroecologia pode ajudar a superar a crise no sistema produtivo que está sendo causada pelas mudanças climáticas que têm atingido todo o mundo e provocado pragas na agricultura, queimadas e ondas de frio e calor.
Outros participantes dos debates alertaram para os interesses da grande agricultura nos territórios indígenas, colocando em risco a preservação do meio ambiente e a permanência das populações nesses locais e protestaram contra a instituição do marco temporal.
Na opinião de Célia Xakriabá, os ataques aos povos indígenas coloca em risco a sobrevivência da agroecologia e, em consequência, da própria humanidade.
“Recurso é importante, mas é muito mais importante a gente não deixar a nossa forma de ser, de organizar porque tem muita gente que tem muita coisa de comer, mas está com fome de humanidade, está com fome de espiritualidade, está com fome de pertencimento e todas essas fomes matam. Por isso nós, povos indígenas, podemos ter todos os desafios da questão territorial, mas seguimos lutando sem baixar os nossos maracás, porque quem tem território tem lugar para onde voltar. Quem tem lugar para onde voltar tem mãe, tem colo e tem cura”.
Os convidados também ressaltaram que as práticas agrícolas tradicionais dos povos indígenas promovem a fertilidade do solo, a conservação da água e a biodiversidade.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Mônica Thaty.








