22/10/2024 15:23 - Cultura
Radioagência
Nome de André Rebouças entra para o livro de heróis da pátria
NOME DE ANDRÉ REBOUÇAS ENTRA PARA O LIVRO DE HERÓIS DA PÁTRIA. A REPÓRTER MARIA NEVES NOS CONTA QUEM FOI ELE.
André Rebouças é o mais novo herói brasileiro oficial. Entrou em vigor a lei que inscreve o nome do engenheiro negro, que dedicou grande parte da sua vida à luta pela abolição da escravatura no Brasil, no Livro de Heróis e Heroínas da Pátria.
André Rebouças nasceu em Cachoeiro, na Bahia, em janeiro de 1838, 60 anos antes do fim da escravidão, que ocorreu oficialmente em 1888. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1846. Como sustenta o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), Rebouças superou as “barreiras tremendas” de um país escravocrata e conseguiu se formar em engenharia na escola militar.
Chico Alencar acrescenta que ele, inclusive, foi professor da escola Politécnica do Rio de Janeiro, cidade em que se notabilizou por trabalhos nas áreas de saneamento e em obras viárias. Mas o deputado enfatiza que Rebouças mostrou “seu âmago e sua essência” foi na militância no movimento abolicionista.
Chico Alencar destaca que o engenheiro negro tinha ideias avançadas quanto ao destino que deveria ser dado às populações libertas.
“E o André tinha uma percepção muito importante e não muito comum na época. O que fazer, o que proporcionar para que quem ficasse livre das algemas, do tronco, dos horrores da escravidão pudesse ser inserido na sociedade? E ele sugeria fortemente que o Estado brasileiro entregasse para essas pessoas, para essa multidão, terras devolutas, para que eles pudessem com apoio também do Estado, produzir sobreviver. Enfim, já fazia uma espécie de início de reforma agraria na época.”
Autor do projeto que deu origem à nova lei, o ex-deputado Alessandro Molon afirma que a militância pela causa negra começou em 1880, quando Rebouças se engajou na campanha abolicionista. Molon afirma que ele participou da criação de sociedades antiescravagistas como a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, a Confederação Abolicionista e a Sociedade Central de Imigração.
Apesar se considerar um liberal, Rebouças era contra o fim do regime monárquico no Brasil. Segundo afirmam os historiadores, ele contava com grande prestígio junto a D. Pedro II e toda a família real brasileira. Molon relata o engenheiro defendia que, após a morte ou abdicação de D. Pedro II, o país deveria ingressar no Terceiro Reinado, sob o comando da Princesa Isabel.
Com a proclamação da República, em 1889, André Rebouças foi com a família real para a Europa, onde viveu por três anos. Depois disso, migrou para a África, local em que morou até a morte, em junho de 1898. O corpo do engenheiro voltou ao Brasil e está enterrado no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








