01/07/2024 20:00 - Política
Radioagência
Mulheres devem participar de decisões globais sobre crise climática, defendem parlamentares do G20
MULHERES DEVEM PARTICIPAR DE DECISÕES GLOBAIS SOBRE CRISE CLIMÁTICA, DEFENDEM PARLAMENTARES DO G20. A REPÓRTER LARA HAJE ACOMPANHOU O PRIMEIRO DIA DE DISCUSSÕES DO ENCONTRO DE MULHERES PARLAMENTARES DO G20, EM MACEIÓ.
As mulheres devem participar das decisões globais sobre a crise climática, já que são as mais afetadas pelos eventos extremos do clima, como enchentes e secas. A defesa foi feita pelas participantes de uma sessão de trabalho da 1ª Reunião de Mulheres Parlamentares do P20, o fórum do Legislativo do G20, que acontece em Maceió, Alagoas.
O tema da sessão foi "Promovendo a justiça climática e o desenvolvimento sustentável para mulheres e meninas".
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, a deputada Ana Pimentel (PT-MG) disse que o atual projeto de desenvolvimento mundial se centra na austeridade fiscal e na exploração predatória do meio ambiente, produzindo adoecimento, empobrecimento, fome e mortes.
"E, sim, as mulheres são as mais afetadas. De perdas, econômicas, migração ao aumento da violência, casamento infantil, evasão escolar, perda de renda: estes são alguns problemas sociais causados pela crise do clima e que impactam as mulheres de forma desproporcional.”
De acordo com a deputada, em todo o mundo, a perspectiva é de mais de 1.2 bilhão de desalojados até 2050, sendo que 80% deles serão mulheres.
E nas regiões atingidas pelos desastres, as mulheres assumem, além do cuidado da casa e dos filhos, a busca por alimentos e por água.
Entre as soluções estudadas para que haja a justiça climática, Ana Pimental citou a taxação de grandes fortunas, que sirva para construir medidas de proteção do meio ambiente e para a construção de um projeto de desenvolvimento sustentável.
A senadora Leila Barros (PDT-DF), líder da bancada feminina no Senado, destacou que os deslocamentos provocados por eventos climáticos superaram os provocados por guerras e violência em 2023, e o Brasil figura entre os seis países com mais pessoas deslocadas por desastres naturais. Ela defendeu políticas integradas e sustentáveis, com abordagem global, para enfrentar a crise climática, devido à interdependência entre as nações e povos. segundo ela, a falta de políticas públicas recai desproporcionalmente sobre as mulheres, as maiores responsáveis pelos cuidados das famílias.
"Políticas de austeridade e a diminuição dos serviços públicos essenciais agravam a vulnerabilidade das mulheres, especialmente aqueles em contexto de sobrecarga social e de trabalho doméstico, como mães solos e mulheres negras e indígenas, que enfrentam disparidades de renda, moradia e acesso a serviços básicos".
Representante da ONU Mulheres, Ana Claudia Jaquetto Pereira afirmou que é preciso focar nas políticas de longo prazo de preparação para os eventos climáticos extremos, e essas políticas devem levar em conta as desigualdades de gênero.
"Caso se confirmem os piores cenários climáticos, até 2030, prevê-se que mais de 236 milhões de mulheres e meninas sofrerão de insegurança alimentar, em contraste com cerca de 131 milhões de homens e meninos. As alterações climáticas e a perda de biodiversidade têm impactos intensos nas mulheres e meninas que vivem nas regiões rurais pobres".
A necessidade de as mulheres serem protagonistas das discussões sobre a crise climática, já que são as mais afetadas, também foi defendida por representantes de diversos países, como Estados Unidos, Reino Unido e Índia.
Representante da União Interparlamentar, Cynthia Lopes Castro ressaltou que hoje apenas 11% das presidentas e primeiras ministras do mundo são mulheres. Além disso, salientou que as mulheres representam metade da população mundial, mas estão representadas em apenas 26% dos Parlamentos do mundo.
De Maceió, para a Rádio Câmara, Lara Haje








