20/06/2024 17:45 - Assistência Social
Radioagência
Participantes de audiência da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência cobram prazos para antecipação do BPC
PARTICIPANTES DE AUDIÊNCIA DA COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA COBRAM PRAZOS PARA ANTECIPAÇÃO DO BPC. A REPÓRTER LAÍS MENEZES ACOMPANHOU O DEBATE.
Em audiência pública sobre a situação das pessoas com deficiência e suas famílias diante das enchentes no Rio Grande do Sul, a Rede Observatório BPC pediu urgência no pagamento do crédito extraordinário prometido aos beneficiários que solicitassem o recurso.
O BPC é o Benefício de Prestação Continuada, previsto na Lei Orgânica da Assistência Social, a garantia de um salário mínimo por mês ao idoso com mais de 65 anos ou à pessoa com deficiência de qualquer idade.
Segundo o diretor do Departamento de Benefícios Assistenciais do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Raimundo Nonato, o cronograma de pagamento do benefício foi adiantado por causa do desastre no Rio Grande do Sul, mas, com a ampliação dos municípios em estado de calamidade, o crédito especial atrasou.
“Em maio, seriam apenas 46 municípios, quando estavam preparando o crédito extraordinário houve uma modificação, uma ampliação desses municípios em estado de calamidade passando assim para 90. Então a área técnica do MDS teve que refazer os cálculos e emitir outra nota técnica”.
Mas o presidente da Rede Observatório BPC, Vinícius da Cunha Mariano, destacou que os prazos para a antecipação do recurso não estão bem explicados. Para ele, o BPC precisa de uma estrutura governamental que seja a primeira responsável pelo assunto.
O representante da rede observou ainda que a antecipação do benefício foi uma das únicas medidas voltadas para idosos e pessoas com deficiência diante das inundações no Rio Grande do Sul, e após dois meses da tragédia, o pagamento ainda não foi feito. De acordo com ele, isso é consequência da falta de um responsável principal pela política.
“Ela é um artigo, artigo 20, dizendo para pagar, mas não tem mensuração de resultados, não tem acompanhamento das pessoas, então como falar de cadastro se hoje não tem um órgão para analisar o cadastro, o INSS tem o seu cadastro, o MDS tem o CADúnico, e no fim, quando há uma calamidade, não tem cadastro, porque nenhum é o responsável.”
O secretário do Regime Geral de Previdência Social do Ministério da Previdência, Adroaldo Portal, explicou porque o INSS é o operador do BPC e ressaltou que o benefício atende hoje no país mais de 3 milhões de pessoas com deficiência.
“O BPC é uma política estabelecida em lei, o gestor dessa política, o dono dessa política é o MDS. O BPC não está lá porque não tinha lugar para coloca-lo, é porque não havia outro local capaz de abarcar a gestão de uma política tão grande. É porque não se encontrou até hoje nenhuma instituição no país que tenha a mínima capacidade de mantê-la em pé como o INSS.”
O deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG), que convocou a reunião, concordou que a antecipação do Benefício de Prestação Continuada é fundamental e destacou a importância de um protocolo nacional para proteção integral das crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência em situações de risco.
“Um dos pontos mais importantes é que a gente aprove esse protocolo. Vire uma lei e seja uma ação de estado para que a gente possa ficar realmente preparados para futuros desastres e que a gente possa acolher da melhor maneira possível as pessoas com deficiência”.
Weliton Prado afirmou ainda que vai mobilizar os órgãos responsáveis e realizar mais audiências públicas para discutir as demandas que envolvem o BPC e seus beneficiários.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Laís Menezes.








