10/06/2024 13:54 - Segurança
10/06/2024 13:54 - Segurança
COMISSÃO APROVA PROJETO QUE CRIA SALA RESERVADA PARA DEPOIMENTO DE MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA. A REPÓRTER MARIA NEVES TEM MAIS INFORMAÇÕES.
Está em análise na Comissão de Constituição e Justiça projeto que prevê a criação de sala reservada no juizado de violência doméstica e familiar para a mulher vítima de violência participar de audiências em processo judicial em que seja a ofendida. Pelo texto, esse espaço deve ser inacessível ao agressor.
Relatora da proposta na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) lembra que recentemente o Congresso aprovou lei que tipifica o crime de violência institucional. Segundo a parlamentar, o projeto em análise tem o mesmo objetivo, que é evitar a revitimização da mulher que sofreu agressão.
“A revitimização não ocorre somente pela conduta do agente público, mas também por normas, padrões, rotinas e mesmo pela arquitetura dos espaços públicos, que submetem as vítimas de violência a novas violências e constrangimentos. Um dos maiores méritos do projeto em análise consiste justamente em chamar a atenção para a violência que se encontra inscrita nos espaços arquitetônicos do Poder Judiciário.”
Laura Carneiro ressalta que o projeto aproxima a legislação brasileira de concepções mais amplas de proteção à mulher já adotadas no direito internacional. A deputada ressaltou que o direito europeu, por exemplo, instituiu o enfrentamento à chamada vitimização secundária, entendida como aquela decorrente do sistema legal.
Ainda conforme o texto aprovado, a sala reservada à mulher que sofreu violência, chamada de sala rosa, deve contar com recurso tecnológico para que a vítima seja ouvida e acompanhe os demais atos processuais de seu interesse no decorrer da audiência.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança de 2023, na contramão dos outros casos de violência, cresceram todos os indicadores de violência doméstica. Enquanto as mortes violentas e intencionais em geral caíram 2,2%, o crime de feminicídio cresceu 6,1%. E, ainda segundo o lavamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 7 em cada dez vítimas foram mortas em casa.
As tentativas de feminicídio aumentaram 17% em relação a 2022, e as agressões por violência doméstica, 3%.
Se aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, o projeto da deputada Silvye Alves, do União de Goiás, seguirá para análise do Senado.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves
Use esse formulário para comunicar erros ou fazer sugestões sobre o novo portal da Câmara dos Deputados. Para qualquer outro assunto, utilize o Fale Conosco.
Sua mensagem foi enviada.