04/06/2024 12:49 -
Radioagência
Projeto prevê acesso gratuito à adrenalina injetável para combater alergias
O ACESSO GRATUITO À ADRENALINA AUTOINJETÁVEL, QUE PODE EVITAR REAÇÕES ALÉRGICAS DE VÁRIOS TIPOS, É O OBJETIVO DE UM PROJETO QUE ESTÁ SENDO DISCUTIDO NA CÂMARA. A REPÓRTER NOELI NOBRE ESTEVE EM UMA AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE O TEMA.
O fornecimento gratuito de adrenalina autoinjetável pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foi defendido pelos participantes de uma audiência na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados.
A caneta para aplicação intramuscular de adrenalina pode ser usada pelo próprio paciente para evitar anafilaxias, que são reações alérgicas graves que podem levar à morte.
A inclusão do medicamento na lista do SUS está prevista em um projeto de lei (PL 85/24) do deputado Geraldo Resende (PSDB-MS). Ocorre que o produto ainda não tem registro na Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o que faz com que muitos pacientes enfrentem dificuldades e custos superiores a R$ 2 mil para sua importação.
Geraldo Resende disse que seu projeto é simples e nem requer muitas discussões, porque está comprovada a eficácia do medicamento e a medida conta com apoio de todas as entidades médicas relacionadas ao tema.
“Vamos conversar com o presidente Arthur Lira (PP-AL) para que, em vez de passar por diversas comissões, o projeto possa ir direto ao Plenário.”
Mãe de um menino de sete anos com alergia alimentar múltipla, a farmacêutica Alessandra Leal disse que o filho teve o primeiro choque anafilático aos 11 meses e foi um trauma.
“A adrenalina é necessária para que pessoas possam ter qualidade de vida e segurança em suas vidas, no seu dia a dia.”
Além de grave, a anafilaxia é imprevisível, pode ocorrer a qualquer momento. Ela pode ser ocasionada pelo contato da pessoa com algum alimento ou medicamento, com veneno de inseto e até com o látex de balões de festas infantis, entre outros causadores de alergia.
Dados citados por Fátima Fernandes, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, apontam para um aumento das internações hospitalares por anafilaxia no Brasil entre 2011 e 2019 a uma taxa de 2,4% ao ano. As mortes ocorreram em 5,8% das internações.
“A pele é o principal órgão acometido. A gente tem que ficar atento quando um paciente tem vermelhidão, coceira, urticária ou inchaços nos lábios, nos olhos, nas mãos, nos pés. Sempre prestar atenção se o paciente está evoluindo para um quadro sistêmico, com comprometimento respiratório que acontece de 40% a 70% dos casos de anafilaxia.”
Na audiência, o professor Renato Rozental, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, disse que a incorporação da caneta de adrenalina pelo SUS seria um processo simples, porque ela já está disponível em diversos países do mundo.
O entrave para a incorporação é justamente a falta de registro na Anvisa e a definição de um preço para o produto, conforme explicou Luciana Xavier, do Ministério da Saúde.
Da Rádio, Câmara, de Brasília, Noéli Nobre








