24/04/2024 13:12 -
Radioagência
Câmara promove debate sobre prevenção e tratamento de doenças renais
CÂMARA PROMOVE DEBATE SOBRE PREVENÇÃO E TRATAMENTO DE DOENÇAS RENAIS. SAIBA MAIS COM O REPÓRTER JOÃO GABRIEL FREITAS.
Deputados discutem a prevenção e o tratamento de doenças renais na saúde pública brasileira.
O centro do debate é a Doença Renal Crônica, quando o paciente perde as funções dos rins ao longo do tempo de forma irreversível. Se isso acontece durante pelo menos três meses, já é considerado um problema renal crônico.
A doença é dividida em 5 estágios. A etapa mais avançada é o momento em que a pessoa precisa de hemodiálise para filtrar e limpar o sangue.
Marcos Vieira, nefrologista e representante do instituto Pró-Rim, explica que o maior desafio para os pacientes é a identificação precoce da doença.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, cerca de 10 milhões de brasileiros têm a Doença Renal Crônica em algum grau e não sabem.
Para Marcos Vieira, o sistema público de atendimento é bom, mas a população nem sempre é incentivada a conhecer e a cuidar dos problemas nos rins.
“A linha de cuidados tem várias outras patologias, como diabetes, hipertensão, obesidade. E a doença renal crônica também tem isso muito bem descrito, desde o início, lá no estágio 1, que ele precisa de um cuidado de um clínico geral, mas que cuide da sua pressão alta, do seu diabetes, mas ele precisa realmente que o paciente encontre esse caminho.”
O censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia também indica que mais de 150 mil pessoas fazem tratamento de diálise no Brasil, sendo que 80% dos custos são financiados pelo SUS, o Sistema Único de Saúde. Esse valor representa cerca de 5% de todo o orçamento reservado para a saúde pública no país.
Hugo Abensur, Coordenador do Programa de Diálise da Universidade de São Paulo, destaca que as duas principais causas da Doença Renal Crônica são diabetes e hipertensão.
O médico afirma que o primeiro passo é conscientizar a sociedade de que a melhor prevenção é manter um estilo de vida saudável.
“Em vez do indivíduo perder a função renal rapidamente, a gente quer adotar medidas para que essa perda seja mais suave. Vai diminuir a mortalidade, vai diminuir as complicações da doença renal crônica, porque com 30% de função renal tem anemia, com 60% tem alterações ósseas. São situações que a gente pode prevenir evitando a obesidade, melhorando a qualidade da alimentação, porque, se tratar hipertensão e diabetes, não vai ter doença renal crônica.”
Danilo Campos, representante do Ministério da Saúde, ressalta que o foco do governo federal é expandir o acesso aos novos tratamentos, em especial a diálise peritoneal.
Ele argumenta que essa terapia é feita na casa do paciente, melhorando a qualidade de vida e reduzindo os custos da operação. Danilo Campos acrescenta que esse recurso aumenta a empregabilidade de pessoas com insuficiência renal.
“Ela deixa de ter que se deslocar três vezes por semana por uma clínica de diálise para fazer sessões. Ela pode fazer isso de casa, enquanto dorme à noite, facilita a qualidade de vida, fere menos na dieta, na rotina do paciente. Além de tudo, ela ainda tem um menor custo para o Sistema Único de Saúde. Mas a gente ainda tem um uso muito pequeno no Brasil. Apenas 5% das pessoas que estão em terapia renal substitutiva.”
O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) pede que o Ministério da Saúde dê autonomia para os pacientes.
O parlamentar enfatiza que a Câmara dos Deputados aprovou um projeto (PL 4581/20) que permite aos pacientes realizarem hemodiálise em clínicas de outras cidades.
De acordo com Sóstenes Cavalcante, bastaria um decreto do governo para ajudar as pessoas que precisam de tratamento, mas não conseguem agendamento em outro município.
“Que o Ministério possa viabilizar que ele possa, com antecedência, se 30 dias for pouco, 60 dias, não sei. Mas criar mecanismos de que ele avise, ‘ó’, tal dia eu vou fazer uma visita familiar, a pessoa se sente literalmente um preso.”
O projeto que permite aos pacientes fazerem hemodiálise em outras cidades ainda será avaliado pelo Senado.
Da Rádio Câmara, de Brasília, João Gabriel Freitas








