23/04/2024 18:32 -
Radioagência
Diagnóstico precoce representa melhor forma de combater o câncer, defendem debatedores
DIAGNÓSTICO PRECOCE REPRESENTA MELHOR FORMA DE COMBATER O CÂNCER. A REPÓRTER MARIA NEVES ACOMPANHOU DEBATE EM QUE AS MEDIDAS FORAM DISCUTIDAS.
Participantes de debate na Comissão Especial de Combate ao Câncer da Câmara defenderam que a melhor maneira de enfrentar a doença é por meio do investimento em diagnóstico. De acordo com o diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Roberto de Almeida Gil, hoje o Brasil detecta a maioria dos casos da doença muito tarde. Com isso, as chances de cura são menores e os tratamentos, mais caros ineficazes.
Ainda conforme o diretor do Inca, atualmente, a indústria farmacêutica produz remédios “absurdamente caros”, que vão significar dois ou três meses a mais de vida para o paciente. Com o orçamento limitado do sistema de saúde, esses tratamentos de alto custo comprometem investimentos que poderiam estruturar melhor a política de atendimento aos pacientes oncológicos.
“Nós não temos que ter o nosso olhar só para a droga. A sustentabilidade do sistema é essencial. A gente não pode ter a imunoterapia precificada com uma indicação, hoje ela ter 54 indicações, e o preço não diminuir, só aumentando o lucro das farmacêuticas. Por isso o nosso olhar, que o Inca tenta fazer, que é hoje a gente ter um olhar direcionado para as fases iniciais da doença, onde a gente pode curar a doença e não cronificá-la com linhas subsequentes de tratamentos desnecessários.”
Autor do requerimento para a realização da audiência sobre a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, o deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG) relatou ter apresentado um projeto de lei para aumentar os recursos destinados ao enfrentamento da doença. Segundo disse, a proposta obriga a União a destinar 4% das verbas da saúde para a oncologia. Estados deverão aplicar um porcentual de 3%, e municípios com mais de 200 mil habitantes, 2%.
“Um percentual muito pequeno, mas esse percentual pequeno já seria suficiente para passar de em torno de R$ 4 bilhões de investimento em enfrentamento ao câncer para mais de R$ 13 bilhões. Seria um aumento de quase 200%, e o nosso objetivo é que a gente possa aprovar ela em caráter de urgência, e possa vigorar já a partir do ano que vem.”
Com relação à detecção precoce da doença, a presidente da Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília, Joana Jeker dos Anjos, sugeriu a criação de centros especializados em diagnóstico do câncer. De acordo com Joana dos Anjos, hoje o paciente passa por cerca de dez etapas até saber se tem ou não um câncer.
“São muitas e muitas etapas até iniciar o tratamento. Nós podemos encurtar essas etapas com a criação de centos de diagnóstico, onde a mulher chega com a suspeita de câncer, faz todos os exames, já sai com resultado dos exames, positivo da biópsia. Isso, sim, pode muito bem encurtar essas etapas e fazer com que essa mulher tenha acesso ao diagnóstico oportuno em até 30 dias, como prevê a lei dos 30 dias, e também o início do tratamento em até 60 dias, como prevê a lei dos 60 dias.”
O Brasil conta com uma lei, em vigor desde 2019, que obriga o Sistema Único de Saúde a realizar o diagnóstico de casos suspeitos de câncer em até 30 dias a partir do pedido médico. Caso o resultado seja positivo, outra lei prevê que o tratamento deve começar em, no máximo, 60 dias.
Já a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer começou a vigorar no ano passado. Conforme explicou o deputado Weliton Prado, a lei surgiu de um projeto da Comissão Especial de Combate ao Câncer da Câmara, que foi aprovada nas duas casas legislativas e sancionada sem alterações.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








