09/04/2024 17:07 - Trabalho
Radioagência
Inteligência artificial vai ter impacto desigual sobre as diferentes ocupações, dizem especialistas
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL VAI TER IMPACTO DESIGUAL SOBRE AS DIFERENTES OCUPAÇÕES, DIZEM ESPECIALISTAS OUVIDOS PELOS DEPUTADOS. A REPÓRTER LARA HAJE ACOMPANHOU.
Em debate promovido pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara, especialistas asseguraram que a inteligência artificial vai ter impacto diferente sobre as diversas categorias profissionais. Segundo o gerente de Unidade de Inteligência de Mercado do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo, Marcello Luiz de Souza Junior, trabalhadores técnicos de nível médio e de ocupações administrativas correm maior risco de perder o emprego.
Para profissionais de nível superior e em postos de gerência a inteligência artificial poderá trazer ganhos, de acordo o representante do Senai. Para que isso ocorra, no entanto, esses profissionais terão de saber utilizar a nova tecnologia para tornar a própria atuação mais eficiente.
“O resultado líquido nos empregos da IA é incerto, ele é incerto ainda, tudo vai depender da nossa capacidade de extrair esses benefícios da produtividade que a inteligência artificial nos promete, o que a gente já sabe é que a inteligência artificial, ela vai mudar o mercado de trabalho de maneiras diferentes a depender da profissão, e não somente da profissão, mas também de aspectos qualitativos desse trabalhador, no que diz respeito à escolaridade, ao gênero também e à idade.”
O pesquisador associado do Cappra Institute for Data Science Tiago Manke ressaltou que, para as categorias que podem se beneficiar da inteligência artificial, o mais importante passa a ser a capacitação permanente. Segundo Tiago Manke, estudo do Fórum Econômico Mundial com mais de 800 empresas mostrou que as duas principais habilidades exigidas hoje dos profissionais são pensamento analítico e pensamento criativo. O uso de ferramentas de inteligência artificial aparece apenas em terceiro lugar.
Para o especialista, essa pesquisa mostra que mais que qualificação técnica, o novo mercado de trabalho exige novas capacidades cognitivas.
“A gente está falando de uma necessidade talvez muito mais cognitiva, de raciocínio lógico, do que algo ferramental. Então, isso acaba reforçando a importância dessa requalificação profissional, não apenas sob a ótica do aprendizado ferramental da IA, ou seja, vou aprender sobre ferramentas e manipulação de ferramentas de IA, mas também sob o desenvolvimento de uma cognição mais analítica, digamos assim.”
Os especialistas ressaltaram também que o país precisa dar prioridade aos trabalhadores em maior risco de perderem o emprego devido às mudanças tecnológicas. Eles defenderam que o Estado tem de desenvolver políticas públicas que permitam identificar as melhores oportunidades de recolocação no mercado e oferecer a qualificação necessária a essa reinserção profissional.
O executivo-chefe da Fab Lab Recife, Edgar Andrade, que trabalha com startups de inovação, ressaltou, inclusive, que boa parte da população simplesmente não vai mais conseguir colocação no mercado de trabalho. Para esse grupo, ele afirma que o Brasil precisa investir em empreendedorismo social, com apoio a pessoas que atuam no mercado informal.
“O que sobrarão serão trabalho que, pelo menos por um tempo, dependerão da nossa capacidade de criar coisas, a gente precisa estimular a criação de comunidades criativas, empreendedoras, inovadoras nas pequenas cidades, nas periferias. Então, com essas comunidades articuladas, tentando resolver os problemas locais, fatalmente vai surgir a necessidade de ter um lugar com ferramentas, com pessoas, que possam ajudar no desenvolvimento de soluções para esse problemas locais, e aí as oportunidades de negócio começarão a surgir.”
Tiago Manke também considera essencial discutir políticas públicas como a renda mínima universal, de modo a assegurar a sobrevivência digna daqueles que realmente não vão conseguir emprego.
O debate sobre foi mediado pelo deputado [[Hélio Lopes]], que relatou o estudo Inteligência Artificial, Inclusão Digital, Automação do Trabalho, Empregabilidade e Previdência, realizado pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








