20/03/2024 17:51 -
Radioagência
Ato na Câmara chama a atenção para o desafio de concluir o ensino básico na idade correta
ATO NA CÂMARA CHAMA A ATENÇÃO PARA O DESAFIO DE CONCLUIR O ENSINO BÁSICO NA IDADE CORRETA. O REPÓRTER MURILO SOUZA ACOMPANHOU.
A Frente Parlamentar Mista da Educação realizou (20) um ato no Salão Nobre da Câmara dos Deputados em defesa da permanência dos alunos nas escolas. O evento foi marcado pelo lançamento do estudo “Indicador de Regularidade de Trajetórias Educacionais”, produzido pela Fundação Itaú.
Segundo o estudo, quase metade (48%) dos estudantes brasileiros nascidos entre 2000 e 2005, atualmente com idades entre 24 e 29 anos, não passaram pelo ensino fundamental com trajetória regular, ou seja, acumularam repetência, reprovação ou abandonaram os estudos. No ensino médio, a situação é mais grave: 59% dos alunos não finalizaram os estudos na idade correta.
O levantamento tomou como base informações de 2007 a 2019 do Censo Escolar, considerando o nível socioeconômico das escolas e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Uma das conclusões dos pesquisadores é que é preciso monitorar melhor a permanência de crianças e adolescentes, como explica Patrícia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social.
“O que esse estudo nos traz é que não conseguimos garantir uma trajetória regular, ou seja, sem reprovação, sem repetentes e sem abandonos para quase metade das crianças e adolescentes antes mesmo de eles chegarem ao ensino médio”.
Segundo o estudo, o aluno com trajetória regular é aquele que entra, aos 6 anos, e conclui na idade correta o ensino fundamental, aos 11 anos, e o ensino médio, aos 17 anos. Trajetórias pouco regulares estão associadas à entrada tardia ou a algum registro de repetência ou abandono. Por fim, trajetórias interrompidas significam que o aluno deixou de frequentar a escola e não retornou.
Presidente da Frente Parlamentar da Educação, o deputado Rafael Brito (MDB-AL) afirmou que o novo indicador produzido pela Fundação Itaú é mais um instrumento para se pensar em políticas para a educação brasileira.
“A educação tem uma série de dificuldades do ponto de vista de manter o jovem dentro de sala, na maioria das vezes, porque o jovem precisa sair para trabalhar, passa por uma gravidez ou tem que tomar conta de um irmão menor para mãe poder sair para trabalhar uma vez que no município não tem creche”.
Como estratégia para manter os alunos em sala de aula, o deputado Rafael Brito citou o recém-criado programa Pé-de-Meia, do governo federal, que prevê R$ 200 por mês e depósitos de R$ 1.000 ao final de cada ano concluído para alunos do ensino médio.
O deputado Prof. Reginaldo Veras (PV-DF) disse que o estudo contribui para jogar luz nas variáveis que levam o aluno a deixar de frequentar a escola.
“É extremamente importante para que, depois, tanto o governo quanto o próprio Poder Legislativo construam leis mais eficazes para combater esse mal que é a evasão escolar”.
Segundo o “Indicador de Regularidade de Trajetórias Educacionais”, produzido pela Fundação Itaú, a permanência dos alunos nas salas de aula é mais complicada para estudantes do sexo masculino, pessoas com deficiência, negros, indígenas e alunos de escolas de baixo nível socioeconômico.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Murilo Souza.








