12/03/2024 19:57 - Saúde
Radioagência
Frente parlamentar vai trabalhar com Ministério da Saúde pela saúde da mulher
FRENTE PARLAMENTAR VAI TRABALHAR COM MINISTÉRIO DA SAÚDE PELA SAÚDE DA MULHER. A REPÓRTER LARA HAJE ACOMPANHOU REUNIÃO DO GRUPO .
A presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Saúde das Mulheres, a deputada Renilce Nicodemos (MDB-PA), afirmou que o grupo quer ajudar o Ministério da Saúde a garantir o acesso das mulheres a exames essenciais para a sua saúde, como a mamografia e o papanicolau - partes da prevenção do câncer de mama e do colo de útero. A deputada quer garantir sobretudo o atendimento diferenciado, no SUS, para a mulher agricultora e para a mulher ribeirinha.
“A ribeirinha mora muito distante da cidade, a agricultora mora muito distante da cidade. Essas mulheres pouco têm o atendimento. Muitas vezes quando chegam à cidade não tem como mais fazer uma consulta sequer.”
Em mesa redonda promovida pela frente parlamentar na Câmara dos Deputados, Joana Jeker, do Instituto Recomeçar, cobrou a implementação das leis que garantem prazo de 30 dias para a realização dos exames necessários para confirmar o diagnóstico de câncer, e de 60 dias para início do tratamento após o diagnóstico.
“O que nós cobramos do governo, não só do governo federal, mas dos governos estaduais e municipais, é o conhecimento e a implementação dessas leis, porque vidas podem ser salvas. A gente sabe que o câncer de mama tem até 95% de chance de cura, porém há a necessidade de que essas mulheres tenham acesso ao sistema de saúde em tempo hábil”.
Já a médica Alexandra Mesquita, que também participou da mesa redonda, destacou que as doenças cardiovasculares são a maior causa de morte entre as mulheres no Brasil. De acordo com a cardiologista, essas doenças matam sete vezes mais que qualquer tipo de câncer e duas vezes mais que o câncer de mama, mas não têm recebido a devida atenção.
Priscilla de Sousa Brito, da Coordenação de Atenção à Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, pediu ainda a aprovação pelos parlamentares de uma legislação de combate à violência obstétrica, que atinge com mais prevalência as mulheres negras. Segundo ela, hoje o termo é impreciso, o que dificulta as ações de prevenção e enfrentamento do problema.
A representante do Ministério da Saúde citou entre as prioridades do órgão o combate à mortalidade materna. Hoje, segundo ela, ocorrem 50 mortes de mães a cada 100 mil bebês nascidos vivos. Ela salienta que, com um pré natal adequado, a maior parte dessas mortes poderiam ser evitadas.
Priscilla lembrou que o Brasil se comprometeu com as metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, que incluem diminuir esse índice para 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos em 2030. Outra prioridade do ministério é garantir o acesso ao planejamento familiar. Conforme ela, muitas mulheres recorrem à laqueadura, uma cirurgia agressiva, por falta de acesso, no SUS, a DIUs e implantes hormonais - disponíveis apenas em alguns estados brasileiros.
Anna Cunha, oficial de Programa em Saúde Sexual e Reprodutiva do Fundo de População das Nações Unidas, destacou que mais da metade das gestações no Brasil são não intencionais e que, de cada três gestações na adolescência, duas não são intencionais, o que é mais frequente justamente nos grupos de maior vulnerabilidade social. Ela afirmou que nasceram mais de 14 mil bebês de mães de 10 a 14 anos no Brasil em 2022, dado que guarda relação com a violência sexual, lembrando que as meninas de até 13 anos representam mais de 60% das vítimas de estupro no Brasil.
A representante das Nações Unidas observou que assegurar saúde à mulher envolve também garantir o acesso à informação e à educação sexual, para que as adolescentes possam, por exemplo, identificar o abuso sexual.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Lara Haje








