12/03/2024 15:21 - Direitos Humanos
Radioagência
Sessão solene homenageia 60 anos da Campanha da Fraternidade e ressalta necessidade de união em meio a guerras e polarização
SESSÃO SOLENE HOMENAGEIA 60 ANOS DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE E RESSALTA NECESSIDADE DE UNIÃO EM MEIO A GUERRAS E POLARIZAÇÃO. A REPORTAGEM É DE CLÁUDIO FERREIRA.
Os 60 anos da Campanha da Fraternidade, promovida pela Igreja Católica no Brasil no período da Quaresma, entre a Quarta-feira de Cinzas e a Páscoa, foram homenageados em sessão solene da Câmara (nesta terça, 12) com uma reflexão sobre o tema de 2024, “Fraternidade e Amizade Social”.
Parlamentares e convidados apontaram a polarização política e as guerras – como os conflitos entre Israel e Palestina e entre Rússia e Ucrânia – para salientar a importância do lema da campanha, “Vós Sois Todos Irmãos e Irmãs”, baseado em um versículo da Bíblia.
Os participantes da homenagem fizeram um histórico da Campanha da Fraternidade, que nasceu em âmbito regional, no Rio Grande do Norte, e depois se tornou nacional. Muitos destacaram que parte desta história coincidiu com o período da ditadura militar no Brasil.
A sessão solene foi proposta por 12 deputados de três partidos. Um deles, Alexandre Lindenmeyer (PT-RS) sublinhou a relevância da iniciativa.
“A Campanha da Fraternidade tem sido um pilar na promoção de valores éticos em nossa sociedade ao longo das últimas seis décadas, a cada edição sempre contribuindo para a manutenção do tecido social brasileiro, promovendo profundas reflexões sobre os principais temas do século 20 e agora do século 21”.
Outros parlamentares ressaltaram que a Amizade Social expressa no tema da campanha pode superar preconceitos e o individualismo no esforço de enfrentar as grandes questões sociais, e que a polarização e a divergência trazem a intolerância e o ódio por quem pensa diferente.
Além dos líderes católicos, a sessão solene contou com a presença de Adna Santos, a Mãe Baiana de Oyá, uma liderança do candomblé. Sobre a intolerância, ela citou as agressões aos terreiros e falou da importância do ecumenismo ao ler o trecho de uma carta que ainda espera conseguir enviar ao Papa Francisco.
“Uma atitude de abertura na verdade, no amor, deve caracterizar o diálogo entre as pessoas de diferentes religiões. Enquanto líder religiosa do candomblé, muito nos conforta observar que as palavras e gestos de Vossa Santidade têm semeado a compaixão, a benevolência e o respeito à diversidade, divulgando o Evangelho que abençoa e acolhe o próximo”.
O padre Jean Paul, coordenador nacional da Campanha da Fraternidade, sugeriu que a Câmara também coloque em prática os parâmetros do tema lançado neste ano.
“É daqui que deve nascer o testemunho, o exemplo de uma verdadeira amizade social. A polarização que nós vivemos não é exclusivamente política, mas nós a experimentamos com força no ambiente político. Se nós experimentamos a chaga no ambiente político, por que não experimentar também o remédio?”
Primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, entidade que coordena a Campanha da Fraternidade, dom João Justino lembrou o que chamou de “gestos concretos” da campanha, como a coleta para o Fundo Nacional de Solidariedade, que, em 2023, arrecadou cerca de R$ 7 milhões, distribuídos a 300 projetos sociais.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Cláudio Ferreira.








