30/01/2024 18:09 - Comunicação
Radioagência
Informação é melhor maneira de combater manipulação de eleições com IA, dizem especialistas
INFORMAÇÃO É MELHOR MANEIRA DE COMBATER MANIPULAÇÃO DE ELEIÇÕES COM IA, DIZEM ESPECIALISTAS. O ASSUNTO FOI DISCUTIDO EM REUNIÃO NA CÂMARA, COMO DESTACA A REPÓRTER MARIA NEVES.
Em debate sobre o uso da inteligência artificial nas eleições, realizado na Câmara, o marqueteiro e especialista em inteligência artificial Marcelo Senise ressaltou que até o momento a discussão em torno do assunto se restringe à “ponta do iceberg”. Segundo afirma, todos estão vendo apenas a manipulação de imagens e sons, mas esta seria a menor parte do problema.
Senise ressaltou que o grande poder da inteligência artificial decorre do fato de que ela aprendeu a decifrar a emoção humana e criou um mapa do caráter das pessoas. Com isso, é possível fazer campanhas muito direcionadas, praticamente sob encomenda para grupos de indivíduos.
“Essa estratégia, utilizada pelo Trump, colocou a maior democracia do planeta, que é a democracia americana, de joelhos, colocou a democracia, uma das mais antigas, do Reino Unido, de joelhos, isso há seis anos, imagina o que essa tecnologia evoluiu.”
Criador do Portal Eleja-se e presidente da Associação dos Profissionais do Marketing Político, Emerson Saraiva destacou que, dependendo da tecnologia utilizada, em muitos casos, é possível saber o resultado das eleições bem antes da apuração dos votos.
"A IA hoje, ela é capaz de entender as pessoas antes mesmo que as pessoas se entendam, porque ela é capaz de gerar dados, que interpretados de maneira correta, são capazes de direcionar a narrativa, a comunicação, a estratégia, de maneira que o marketing, ele apenas consolide algo que já está muito bem direcionado.”
De acordo com Saraiva, no atual estágio de desenvolvimento, ferramentas como Chat-GPT são capazes de se comunicar com outros sistemas ou programas de inteligência artificial. E, desse modo, podem produzir quase todo de tipo de resposta.
Em uma campanha eleitoral, ele afirma que o responsável pode formular perguntas como qual tipo de discurso a população gostaria de ouvir, quais propostas o eleitor mais aprova e os melhores horários para veicular os discursos, por exemplo. É possível também saber qual a melhor linguagem e mesmo a estética a ser utilizada. De posse desses dados, é possível criar uma campanha baseada exatamente nos sentimentos do eleitor.
“Você pode ter uma inteligência que se conecta com outra, vai lá no TSE e pega dados, e vai no Datasus, e vai no IBGE, e se conecta com a API da Meta, e da Open AI, e, quando você vê, você tem uma campanha pronta, uma vitória construída com uma pergunta, ‘como é que eu elejo um vereador em Lagoa do Taengo, em Pernambuco?’ E a inteligência artificial mesma vai me entregar tudo, os criativos para eu rodar no tráfego pago, os públicos que eu devo abordar, quanto eu devo investir, e muito barato, é extremamente barato, é para aí que a gente está caminhando.”
E o maior dilema da inteligência artificial, conforme Emerson Saraiva, é que não tem como travar esse tipo de utilização da tecnologia.
Diante disso, para o especialista, a única maneira de reduzir a manipulação é investir em informação. Saraiva defende que o eleitor, quando receber uma campanha com imagens manipuladas por inteligência artificial, precisa entender que aquilo pode não corresponder à realidade.
Para as próximas eleições municipais, no entanto, o relator da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná, Fernando Bueno de Castro, considera importante regulamentar a utilização das chamadas deep fakes. Deep fakes são imagens ou áudios falsos, criados por inteligência artificial, muito fiéis à realidade. A preocupação é que candidatos e partidos possam utilizar esse instrumento para produzir informações falsas sobre adversários.
Responsável pela regulamentação dos pleitos eleitorais, o Tribunal Superior Eleitoral já elaborou uma minuta de norma sobre as deep fakes nas eleições municipais deste ano. A proposta prevê que as campanhas deverão informar explicitamente sobre a utilização de conteúdo fabricado ou manipulado na propaganda eleitoral.
É considerada manipulação a criação ou a edição de conteúdo sintético que ultrapasse ajustes para melhorar a qualidade do material. Estão incluídos nestas categorias imagens ou sons criados, omitidos, mesclados, sobrepostos ou que tenham a velocidade alterada por meio de ferramentas tecnológicas. O tipo de tecnologia utilizada também deve ser informado.
A audiência pública na Câmara sobre o uso da inteligência artificial nas eleições foi realizada pela Comissão de Legislação participativa a pedido do deputado Prof. Paulo Fernando (Republicanos-DF).
Da Rádio Câmara, de Brasília, Maria Neves








