11/10/2023 17:37 - Meio Ambiente
Radioagência
Educação climática é tema de debate na Câmara
A EDUCAÇÃO CLIMÁTICA FOI TEMA DE DEBATE NA CÂMARA. A REPÓRTER PAULA MORAES ACOMPANHOU.
A estudante Débora, da Escola Classe 403 Norte, no centro de Brasília, veio à Câmara dos Deputados com um apelo.
“Estamos diante de uma emergência global. O modo de vida humano está impactando diretamente o funcionamento do nosso planeta. O nosso modo individualista e separado da natureza está causando o desaparecimento de várias espécies ao redor do mundo. Precisamos, urgentemente, realizar mudanças em favor da continuidade da vida. Não temos mais tempo para esperar.”
Débora está no quinto ano do ensino fundamental e poderá chegar à vida adulta morando em um País - e um mundo - muito diferente do que vemos hoje. Entre os pedidos da aluna, está mais vontade política para parar com o desmatamento e as queimadas no Brasil.
Ela participou de um debate sobre educação climática realizado pelas comissões de Meio Ambiente e de Educação da Câmara (em 28/9).
Mariana Breim, do Instituto Península, organização que atua na área da Educação, lembrou que o planeta já passou por cinco processos de extinção em massa, e que cientistas acreditam que estamos prestes a viver o sexto. Esse, porém, será o primeiro em que a causa são os seres humanos.
Breim afirma que o tema educação ambiental como um todo tem chegado da forma errada nas salas de aula.
“Educação ambiental é tema de aulas isoladas. A educação ambiental tem chegado nas crianças com uma carga de medo e uma carga de culpa que não pertence a elas. ‘Fecha a torneira porque a água do mundo vai acabar, as geleiras estão derretendo, os animais estão desaparecendo’, é assustador. Ninguém cuida daquilo que não conhece e não ama. O caminho é outro.”
Mariana Breim defendeu também a capacitação de professores sobre o tema.
Segundo Taciana Stec, do Instituto Talanoa, que trabalha com políticas climáticas, é preciso repensar o ensino das disciplinas nas salas de aula.
“Não tem mais como a gente ensinar Ciências sem falar de mudança climática. Não tem como a gente falar hoje em sala de aula de geografia, geopolítica, sem falar, por exemplo, de refugiados do clima. Quando a gente fala de recursos hídricos, não tem como a gente não abordar municípios e estados que passam por crises hídricas.”
A deputada Socorro Neri (PP-AC), que pediu a realização do debate, defendeu a necessidade de estratégias diversas para atender todo o País.
“Nós precisamos pensar em várias estratégias, em várias possibilidades, em várias configurações, para alcançar todos que precisam ser alcançados, no sentido construção desta mentalidade para a integridade ambiental.”
Professor de Ciências e Ecologia, Cayo de Alcântara, da Coalizão Brasileira pela Educação Climática, ressaltou a importância de uma educação crítica. Por exemplo, segundo ele, muito se fala sobre “os seres humanos” serem os culpados pela crise climática e pela perda da biodiversidade, quando o fato é que 10% da população são responsáveis por metade do problema.
Neusa Helena Rocha Barbosa, do Ministério do Meio Ambiente, afirmou que a educação ambiental acolhe diversas outras, como a climática, a florestal e a de proteção das águas. Segundo ela, a educação ambiental não pode ser uma disciplina específica em sala de aula, é preciso trabalhar a transdisciplinaridade.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Paula Moraes.








