29/09/2023 13:18 - Consumidor
Radioagência
Combustíveis e dólar explicam aumento das passagens aéreas no Brasil
DEPUTADOS COBRAM EXPLICAÇÕES PARA O AUMENTO DAS PASSAGENS AÉREAS NO BRASIL. O REPÓRTER LUIZ CLAUDIO CANUTO ACOMPANHOU A AUDIÊNCIA COM AS EMPRESAS AÉREAS.
Combustíveis e dólar explicam o aumento dos preços das passagens aéreas no Brasil. Segundo Jurema Monteiro, da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, 60% dos custos estão vinculados ao câmbio, e o restante ao preço do combustível.
“Enquanto o combustível aqui pesa 40%, no mercado americano esse peso é de 20%. Então vamos comparar com algum mercado aqui da região, Chile, Colômbia. Da mesma forma a gente vai ver essa diferença, essa distância, no peso do combustível, embora a gente tenha quase 90% do petróleo consumido pelas empresas aéreas é produzido no Brasil, graças a eficiência da Petrobrás, que consegue entregar com muita eficiência e qualidade o que abastece as nossas aeronaves”.
Em reunião da Comissão de Viação e Transportes da Câmara, Jurema Monteiro afirmou ainda que o impacto do preço do combustível no valor das passagens era de 30% há três anos. Por isso, ela defende uma nova política de preços para combustíveis, o que poderia diminuir em até 17% o preço das passagens. Ainda assim, ela diz, em média os preços não são excessivos.
“Apenas 5% dos bilhetes tem tarifas superiores a 1.500 reais. A maioria dos passageiros que se organizam conseguem com planejamento e compras antecipadas encontrar tarifas competitivas abaixo de 500 reais na maior parte das vezes.”
Durante o debate, o representante da Secretaria Nacional do Consumidor, Vitor Hugo do Amaral, levantou várias perguntas.
“Por que há oscilação de preço em período de maior fluxo? Isso vai, inclusive contra a idéia da oferta e procura. Por que o valor da passagem para Brasília é um dos maiores de valor, de custo, do país, principalmente em dias que antecedem sessões? Por quê que a marcação do assento no checkin online indica muitas vezes apenas assentos pagos. Por que as passagens que antecedem grandes eventos são superfaturadas. ”
Vitor Hugo questionou também o fato de a aviação aérea não ter preços fixos, como os demais tipos de transporte. Para o representante da Gol, Alberto Fajerman, preço fixo é uma política do passado, de quando a passagem era controlada pelo extinto Departamento de Aviação Civil, anterior à Agência Nacional de Aviação Civil, Anac. Na época, o preço era determinado com base na distância do trecho e em uma média de 65% de ocupação do voo. As tarifas tinham que remunerar as empresas em 12%.
“Se a gente pegasse a mesma metodologia da época e trouxesse para hoje, não haveria passagem nenhuma abaixo de 1.000 reais. Todas elas seriam 1.060 reais, o que demonstrava que só tinham 25 milhões de passageiros no sistema. O único jeito que a gente tem de manter os 700 vôos por dia e atender 17 milhões de pessoas pagando de 500 reais pra baixo é com o modelo atual ”.
O diretor da Anac, Eduardo Catanant, explica por que uma pessoa paga, por exemplo, 200 reais em uma passagem e outra paga 1.200 para viajar no mesmo voo, com as mesmas condições, no mesmo horário.
“A questão da antecedência na compra. Aquela pessoa que pagou os 200 reais conseguiu se programar, normalmente é o turista que consegue se programar, comprou a passagem com muita antecedência. E aquela que pessoa que compra, e a tendência é essa com a oscilação de tarifas, com pouca antecedência do voo, essas tarifas tendem a subir e porque são aqueles últimos lugares do vôo de uma aeronave e que correspondem muitas vezes ao lucro que a empresa tem no voo são as passagens comercializadas em cima da hora. ”
Para o Catanant, a solução passa pela entrada de novas companhias no mercado.
23m33 “A gente sabe que numa indústria concorrencial, em que a entrada de novos players é livre, os ganhos de eficiência são traduzidos em melhores preços Quando há concorrência, em bases menores de custos, essas reduções de custos são repassadas para os preços das tarifas. ”
Já o deputado Neto Carletto (PP-BA), que pediu a audiência pública, cobrou mais benefícios para o consumidor em resposta aos incentivos que as empresas têm recebido.
2h11m34 “É importante também que haja um compromisso das empresas para com os consumidores porque esta Casa vem fazendo sinalizações com as empresas, com setor aéreo, isenções, como ICMS, e autorização para cobrança da bagagem e não tem sido feito nenhum gesto de lá pra cá, das empresas para com os consumidores. Ou seja, a gente aprovando aqui na Casa incentivos para as empresas aéreas na reforma tributária, a gente aprovando incentivos na política de combustível, qual é a garantia para os consumidores de que os preços realmente vão baixar.”
Segundo a Anac, em 2002, 38 milhões de brasileiros viajavam e 0.1% das passagens era vendida abaixo de 100 reais. Hoje são 98 milhões de passageiros, e 11% de passagens saem a menos de 200 reais.
Da Rádio Câmara, de Brasília, Luiz Cláudio Canuto








