Mulheres de Palavra
Especialistas avaliam desafios da comunicação usada nas campanhas femininas
13/08/2026 - 08h00
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Entrevista: Jornalista Cristiane Bernardes e advogada Bianca Gonçalves e Silva
Dando seguimento à série especial sobre a participação das mulheres nas eleições deste ano, a colunista Cristine Bernardes e a jornalista Ana Raquel Macedo recebem neste episódio a advogada eleitoralista Bianca Gonçalves e Silva, em um bate-papo sobre a comunicação usada nas campanhas femininas.
Segundo Cristiane Bernardes, os estereótipos que circundam o imaginário social e cultural sobre o papel das mulheres trazem desafios para as campanhas das candidatas.
A colunista destacou que características associadas às mulheres, como sensibilidade e empatia, podem ser usadas para negar sua capacidade política. Ao mesmo tempo, candidatas consideradas fortes e assertivas também enfrentam críticas. Segundo Cristiane Bernardes, as campanhas podem desafiar esses estereótipos e mostrar as mulheres como pessoas complexas, capazes de exercer diferentes papéis.
“As mulheres têm algumas limitações que a gente não percebe nas campanhas masculinas. Porque as mulheres, nós todas, nós somos constrangidas por uma série de estereótipos, ou seja, de imagens tradicionais sobre como nós devemos nos comportar, sobre quais são as atitudes esperadas de uma mulher. [...] A ideia, talvez, para as mulheres, ainda que a gente saiba que é difícil elas se distanciarem desses estereótipos de gênero, seria que esse espaço de campanha fosse um espaço para elas desafiarem esses estereótipos e mostrarem toda a complexidade delas enquanto seres humanos e enquanto candidatas, ou seja, alertarem a população e mostrarem para o seu eleitorado diferentes tipos de construção de imagem pública, porque elas atuam em uma infinidade de papéis,” defendeu Cristiane.
Entre os desafios desta campanha eleitoral, está o uso da inteligência artificial. Para a advogada eleitoralista Bianca Gonçalves, a IA pode democratizar o uso de ferramentas pelas campanhas das mulheres, barateando custos e contornando limitações dos próprios partidos na distribuição de recursos. Por outro lado, a inteligência artificial pode intensificar estereótipos e aprofundar práticas de violência política de gênero, como o uso de deep fakes e deep nudes, apesar de vedados pelas normas eleitorais.
Na avaliação da advogada, a legislação trouxe mudanças importantes ao longo do tempo, mas ainda insuficientes para mudar a cultura de mais participação das mulheres em condições de igualdade com os homens.
“Nós sabemos que a legislação brasileira já avançou em certa medida em ações afirmativas que dão as mulheres certa possibilidade de ocupar espaços que elas não poderiam até bem pouco tempo. Só que, enquanto nós estamos aqui no Brasil discutindo reserva de candidaturas de 30%, nos outros países da América Latina todo mundo já tem reserva de cadeiras, de pelo menos 30% ou paridade. Aqui no Brasil nós tivemos que discutir no Supremo Tribunal Federal a regra, por exemplo, de repasse de recursos para mulheres e foi o Supremo Tribunal Federal que deu a obrigatoriedade de os partidos colocarem as mulheres nas propagandas também. O Congresso positivou isso numa emenda constitucional, porém anistiou os partidos que não tinham feito,” disse.
“Então é claro que a gente avançou, mas a gente ainda tem muito para avançar e evidentemente, as regras, elas infelizmente não mudam a cultura. Então, sem dúvida nenhuma, as regras são importantes, mas elas ainda não são absolutamente eficazes,” avaliou Bianca.
A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto. E o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, em 28 de agosto.
Apresentação: Ana Raquel Macedo