Eleições 2010

Processo de redistribuição de renda deve ter continuidade no governo Dilma (03'26'')

31/10/2010 - 20h49

  • Processo de redistribuição de renda deve ter continuidade no governo Dilma (03'26'')

A presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, deverá dar continuidade ao processo de redistribuição de renda adotado pelo governo Lula, mas terá o desafio de lidar com o problema da valorização do real frente ao dólar. A valorização é um instrumento de controle da inflação, mas prejudica os exportadores brasileiros que perdem competitividade.

Mas alguns economistas como o consultor Amir Khair, acredita que Dilma estará atenta para este problema:

"O governo pode e eu creio que o governo Dilma fará uma maior proteção à indústria nacional, especialmente nas concorrências com países que são praticamente imbatíveis no mundo todo que são a China e alguns países do Leste asiático. Então neste sentido eu acredito que a Dilma vai fazer uma política mais forte de proteção à indústria nacional".

Quanto à cotação do dólar frente ao real, o governo já vem adotando algumas medidas que vêm surtindo efeito como o aumento de imposto para aplicações estrangeiras em renda fixa; mas o economista afirma que talvez elas não sejam suficientes:

"E ele tem em mãos, possivelmente ainda faça neste ano, a regulação da questão da entrada de recursos, possivelmente uma quarentena. Se ele fizer esta medida, eu acho que ele cerca todo o problema cambial que tem que cercar. Evidentemente, o problema cambial afeta o mundo todo porque há uma desvalorização do dólar perante todas as outras moedas. Mas eu creio que esta questão, se depender da Dilma, será feita ainda neste governo e mantida por ela".

O economista Geraldo Biasoto Júnior não acredita na reversão da valorização do real porque, segundo ele, há uma política de incentivo à exportação de commodities agrícolas:

"No governo Lula a gente tem visto uma tendência permanente à supervalorização do câmbio. A gente mantém aí uma taxa de juros mais elevada do mundo por muitos anos e isso estabelece um diferencial para o investidor externo entre o juro nacional e o juro que é pago no mercado internacional hoje, que é quase zero. E há uma entrada cavalar do dólar na economia brasileira. E como o Banco Central tem uma postura extremamente passiva frente a este processo, é lógico que todos os agentes econômicos trabalham com a hipótese de que o câmbio será permanentemente valorizado".

O economista aponta outro problema que, na sua opinião, não será resolvido no governo Dilma que seria a má gestão dos recursos públicos. Ele acredita que, em vez de melhorar a gestão, o governo vai preferir aumentar a carga tributária:

"Se tentará voltar a introdução da CPMF. Então quando se fala em saúde, se fala em falta de financiamento e a coligação natural é o retorno da CPMF que aumentaria esta carga tributária em aí mais 1% do PIB".

Biasoto afirma que o governo Lula aumentou as contribuições sociais incidentes sobre energia elétrica e ampliou a taxação para investimentos em saneamento básico.

Mas, segundo Amir Khair, os investimentos feitos pelo governo na área social e no Programa de Aceleração do Crescimento têm contribuído para o crescimento do país e devem reduzir os custos de investimento das próprias empresas. Este ano, a expectativa é a de que o Brasil tenha um crescimento econômico de 7,5%.

De Brasília, Sílvia Mugnatto.

Sílvia Mugnatto, da Rádio Câmara, Brasília (DF)

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