Rádio Câmara

Reportagem Especial

HIV/Aids - Capítulo 2

Estreia: 16/09/2019 - 07h40

  • Capítulo 2: Diagnóstico e Prevenção

O HIV, vírus da imunodeficiência humana, ataca o sistema imunológico das pessoas. As células mais atingidas são os linfócitos CD4. O HIV altera o DNA, se multiplica e rompe os linfócitos para continuar a infecção das células do sangue e do sistema nervoso.

O principal meio de transmissão são as relações sexuais desprotegidas. Mas também é possível ser infectado pelo HIV por causa do compartilhamento de seringas contaminadas e por uma transfusão de sangue que também tenha o vírus.

Mário Angelo Silva, coordenador do Polo DST/Aids do Hospital Universitário de Brasília, traça o perfil do paciente com HIV.

"A epidemia se concentra nas pessoas mais vulneráveis, pessoas que têm mais dificuldades de acesso à educação, à saúde, e que se sentem de certa forma discriminadas e rejeitadas socialmente. Seja branco, seja negro, seja homem, seja mulher, esse é o público potencialmente mais afetado por essa epidemia".

O infectologista Alexandre Cunha relata os avanços no diagnóstico do HIV Aids. Ele explica que os primeiros kits de exames tinham uma "janela imunológica" de 3 a 4 meses - isto é, esse era o tempo que deveria ser considerado entre a contaminação pelo vírus e o exame. Com o passar do tempo, detectar a presença do HIV ficou mais fácil.

"Agora a gente tem exames de laboratório que conseguem detectar a infecção duas a três semanas depois do contágio. São testes muitos seguros e especificamente para o HIV, a gente sempre faz testes confirmatórios no resultado positivo. Então um primeiro resultado de um teste positivo nunca é definitivo, ele é confirmado por outras metodologias. Atualmente a gente usa a quantificação da carga de vírus, isso consegue dar um resultado bem preciso, com pouca chance de um falso positivo".

Para as gestantes, a recomendação do Ministério da Saúde é fazer o teste no pré-natal e no parto. Em caso de a mulher ter o vírus, deve-se evitar a amamentação, que também é um meio de contágio. E o recém-nascido pode tomar o medicamento antiretroviral na forma de xarope, que é mais adequada para o bebê.

A camisinha é o meio mais eficaz de prevenir a transmissão do HIV por meio de uma relação sexual. Ela deve ser usada pelos praticantes de sexo oral, anal e vaginal. Não é à toa que, todos os anos, uma campanha específica tenta alertar principalmente os jovens que gostam de pular Carnaval para os perigos do sexo desprotegido. As mensagens são bem-humoradas e no espírito da festa de Momo, como esse jingle veiculado em 2018.

 

O site do Ministério da Saúde na internet registra que, em janeiro deste ano, foram distribuídos 51 milhões de camisinhas. Em fevereiro, talvez já pelo clima pré-carnavalescos, foram mais de 79 milhões de unidades disponibilizadas.

Além do preservativo masculino e feminino, há outras maneiras de proteção. Uma prevenção de urgência é a chamada PEP, Profilaxia Pós-Exposição ao HIV. A pessoa que acha que pode ter sido infectada começa a tomar os medicamentos antiretrovirais no mínimo duas horas depois e no máximo 72 horas depois do possível contágio. O resto da prevenção dura 28 dias, com acompanhamento de uma equipe de saúde.

Também existe a PREP, Profilaxia Pré-Exposição ao HIV. Ela é indicada para homens que têm relações sexuais com outros homens, transexuais, prostitutas e aqueles que têm uma pessoa infectada como parceira. Neste caso, dois medicamentos bloqueiam o caminho do HIV no organismo.

O infectologista Alexandre Cunha diz que o Brasil é pioneiro em incorporar esse método ao Sistema Único de Saúde. E ressalta a eficácia da medida.

"A gente consegue fornecer medicamento pra pessoas que não são portadoras do HIV, mas que sabem que vão se expor ao risco e essas pessoas tomam o medicamento de maneira contínua para não pegar HIV. Enquanto a gente não tem uma vacina ainda, que a pessoa tome a vacina e fique protegida, dá pra se proteger através do uso de medicamentos. Essa é uma medida extremamente eficaz, comprovada no mundo todo. No Brasil a gente já tem esse programa há um ano, a gente ainda não tem resultados aqui, mas pelos resultados que a gente tem mundo afora devem ser muito satisfatórios".

São estratégias combinadas: a adoção dos medicamentos por parte de quem ainda não tem certeza que está com o vírus HIV não elimina a necessidade do uso de preservativos. O coordenador do Polo DST/Aids do Hospital Universitário de Brasília, Mario Angelo da Silva, reforça a efetividade da camisinha.

"É importante, é fundamental usar preservativo e também fazer o teste. Atualmente, o Ministério (da Saúde) e as secretarias de saúde disponibilizam o teste rápido. Então é importante que as pessoas façam o teste rápido para terem um diagnóstico, saberem se tem ou não o vírus e se tiver, iniciar o tratamento. Quanto antes iniciar o tratamento melhor, para garantir a imunidade e o fortalecimento do sistema imunológico".

Segundo o Ministério da Saúde, em 2018 foram distribuídos 12 milhões e 500 mil unidades de testes rápidos no Sistema Único de Saúde. Desde janeiro deste ano, um projeto piloto em cidades dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, entre outros, oferece um auto-teste de HIV para alguns grupos específicos. A expectativa é que até o fim deste ano sejam distribuídas 400 mil unidades do auto-teste.

No terceiro capítulo, vamos conhecer os avanços no tratamento do HIV Aids

Trabalhos técnicos – Tony Ribeiro

Produção – João Paulo Florêncio

Edição e Reportagem – Cláudio Ferreira

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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