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Reportagem Especial

Especial Antártica 4 - Crescimento do turismo ao continente gelado (Reprise) (06'29")

  • Especial Antártica 4 - Crescimento do turismo ao continente gelado (Reprise) (06'29")

A ÚLTIMA REPORTAGEM ESPECIAL SOBRE A ANTÁRTICA VAI MOSTRAR QUE CRESCE ANO A ANO O TURISMO AO CONTINENTE GELADO.

A menina Marina Alves Martins tem 11 anos. No início do ano, ela visitou a Antártica pela primeira vez, uma das poucas crianças a visitar o continente antártico. No seu navio, por exemplo, entre os cerca de 150 passageiros, as crianças não chegavam a dez. Marina conta o que achou da viagem.

"Foi demais, vi um monte de bicho diferente, vi elefantes marinhos, baleia, pinguins, escua, foi incrível."

Marina destaca que a preservação do meio ambiente era um item sempre ressaltado pelos coordenadores da viagem.

"Tinha sempre palestras, e não podia jogar nada, podia desembarcar no máximo algumas pessoas por vez, tinha que tomar muito cuidado, não podia chegar a 5 metros dos animais, no máximo tinha que ficar a 5 metros dos animais."

TRILHA

O meio ambiente é fator primordial nas viagens turísticas à Antártica. Tanto que existe uma associação internacional de operadoras de turismo antártico, que define justamente as regras para que o meio ambiente sofra o menor impacto possível com as viagens turísticas. Por isso, foram criadas regras rígidas para a mínima distância dos animais e para recolhimento de lixo, por exemplo. Além disso, os navios costumam levar cientistas como guias da Antártica. Dessa forma, os turistas têm a oportunidade de assistir a palestras sobre a importância da conservação do meio ambiente antártico para o futuro do planeta. Jefferson Simões, por exemplo, é pesquisador do Programa Antártico Brasileiro há 22 anos. Ele realizou mais de 18 viagens polares, sendo 15 na antártica e 3 no ártico, e foi o primeiro brasileiro a atravessar a Antártica via terrestre, chegando ao pólo Sul, numa expedição científica. No verão passado, Jefferson foi pela primeira vez à Antártica com outra incumbência. Ele foi convidado a guiar turistas e fazer palestras num navio para a península antártica, por uma operadora canadense. Ele destaca que o turismo na antártica é ambientalmente correto, informativo e educacional.

"Hoje existem mais de 15 operadoras do turismo antártico, envolvendo (de certa maneira estamos muito preocupados) mais de 30 mil visitantes por ano. Compare que os pesquisadores e o pessoal de apoio, mesmo no auge do verão, não ultrapassa 4 mil pessoas. Hoje a atividade turística cresceu e muito."

Realmente, a atividade turística na Antártica é um ramo que cresce a cada ano. De acordo com a Associação Internacional de Operadoras de Turismo na Antártica, no verão de 2005/2006, quase 30 mil turistas visitaram a Antártica. Os Estados Unidos representam o país que mais enviou turistas ao continente gelado, com 39% do total, seguido pelo Reino Unido, Alemanha e Austrália. Nesse mesmo período, 141 turistas brasileiros visitaram a Antártica, contra 95 do verão anterior.

TRILHA
O turismo na Antártica começou no final dos anos 50, quando o Chile e a Argentina levaram mais de 500 visitantes às Ilhas Shetlands do Sul. Mas foi somente em 1966 que o turismo ganhou força, aliado ao tema da educação ambiental. No momento, cerca de 35 operadoras de dez países diferentes atuam na Antártica com navios de turismo, que levam passageiros no verão. Sílvio Martins é alpinista e começou a ir para o continente gelado em 1986, apoiando os pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro. Ele também é dono de uma operadora de turismo, e leva brasileiros todos os anos ao continente gelado, trabalhando agora num navio norueguês. Ele explica como são as excursões à Antártica.

"Com navios bons, você pode fazer uma bela viagem, saindo de Ushuaia, na Argentina, e voltando para Ushuaia, em dez dias, a partir de 5, 6 mil dólares, umas ofertas que tem... Você fica hospedado no navio, todos os desembarques são feitos em botes, para você ir em praias, fotografar os animais, caminhar e visitar a Antártica de uma maneira completa. Todo dia você tem passeio de bote ou desembarque nas praias, ou os dois."

Sílvio explica que, para se chegar à Antártica, é necessário cruzar o trecho com a navegação mais difícil do mundo, o estreito de Drake, que é a junção dos Oceanos Atlântico e Pacífico. Por isso, os remedinhos para enjôo são indispensáveis numa viagem dessas. Mas nem sempre o trecho é ruim, explica Sílvio. Para manter os turistas aquecidos, os navios geralmente fornecem um casaco que protege do frio e do vento, além das botas. Mas Sílvio destaca que o frio só é sentido realmente nos desembarques, que duram de uma a duas horas. Nesses desembarques, feitos em botes infláveis, os turistas visitam as regiões costeiras, as estações científicas, os monumentos históricos e as colônias de animais. Sílvio está organizando a primeira viagem num navio brasileiro, prevista para 2008 e 2009. Ele confirma que o meio ambiente é motivo de grande preocupação nas excursões, tanto que são realizadas várias palestras com os turistas, enfatizando a necessidade de manter uma distância mínima dos animais, e de obedecer o tempo de permanência em terra. Essa preparação é essencial para que os turistas continuem contemplando as diversas tonalidades do gelo. Para que continuem se divertindo com as peripécias dos pingüins e com a morgação dos elefantes marinhos. Para que o continente gelado continue exibindo suas tonalidades de branco e azul, mantendo seus estatus de refrigerador do planeta.

De Brasília, Adriana Magalhães.

O REPORTAGEM ESPECIAL DESTA SEMANA ACABA AQUI. A REPORTAGEM FOI DE ADRIANA MAGALHÃES, COM PRODUÇÃO DE LUCÉLIA CRISTINA E EDIÇÃO DE ANA DELMONTE. SE VOCÊ QUISER, PODE ACESSAR ESSE PROGRAMA PELO SITE WWW.CAMARA.GOV.BR/RADIO.

A abordagem em profundidade de temas relacionados ao dia a dia da sociedade e do Congresso Nacional.

De segunda a sexta, às 3h, 7h40 - dentro do programa Painel Eletrônico - e 23h

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