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Reportagem Especial

Especial Rodovias - Como os buracos podem afetar o bolso do brasileiro - ( 03' 29" )

  • Especial Rodovias - Como os buracos podem afetar o bolso do brasileiro - ( 03' 29" )

O Brasil perde 24 dólares por tonelada de soja embarcada, por causa das precárias condições do transporte no país. A informação é do coordenador de Desenvolvimento de Transportes da Confederação Nacional do Transporte, CNT, Luiz Sérgio Silveira. Ele explica de que forma a economia brasileira perde com os buracos nas estradas.

"Perde competitividade, isso aumenta o nosso custo Brasil, e logicamente afasta investimento, porque o produto fica mais caro aqui."

Aumento do tempo de viagem e do consumo de óleo diesel, gasto com consertos dos veículos danificados por causa dos buracos e o risco de acidentes fazem parte da conta dos prejuízos causados pelas estradas, com reflexo direto na economia. O próprio governo admite que a economia sofre os efeitos das condições inadequadas das estradas brasileiras. É o que diz o Secretário Executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Oliveira Passos.

"Nós estimamos que a inexistência de condições satisfatórias nas rodovias brasileiras é responsável por um custo que nós imaginamos seja 500 milhões de dólares, por ano."

O caminhoneiro gaúcho Cláudio dos Passos não está por dentro desses números, mas sente no próprio bolso os efeitos das condições precárias das estradas brasileiras. Ele revela que as transportardoras com que tem contato não pagam o custo de uma viagem feita em estradas totalmente esburacadas. Dessa forma, o caminhoneiro tira do próprio bolso o custo dessas viagens. Cláudio dos Passos sugere que uma equipe do governo viaje um pouco pelas estradas do país.

"O ministro dos transportes, essa gente aí, (gostaria que) tirasse um mês, ´bom vamos viajar só com motorista de caminhão agora´, um mês, pelo Brasil inteiro, Sul, Nordeste, Centro-Oeste, aonde for. Aí eles iam ver o quanto o país está defasado em estradas."

Segundo o Departamento Nacional de Infra-Estrutura em Transportes, DNIT, 60,5% da movimentação de cargas brasileiras é feita por meio de rodovias. O Consultor legislativo especialista em transporte, Rodrigo Borges, critica a concentração da malha rodoviária brasileira.

"Muito se fala da matriz do transporte brasileiro que é muito concentrada. Pelas dimensões do país, as características da carga, a topografia, deveria ser bem mais concentrada nos outros modais de transporte, e hoje mais de 60% das cargas são transportadas por rodovias. Mas essa é uma realidade. Então, como esse transporte hoje ocorre principalmente por rodovias, tem que ter um maior investimento nessas estradas, para possibilitar, pelo menos num curto e médio prazo, um escoamento da safra, da produção, dos insumos, por elas."

O advogado tributarista Kyoshi Harada dá uma boa notícia para o motorista que sofrer um acidente em função da má conservação das estradas. Se não houve negligência ou imperícia do condutor, o poder público é responsável e deve indenizar o cidadão.

De Brasília, Adriana Magalhães

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