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Reportagem Especial

Reportagem Especial - Imprensa X Crise - ( 05' 26' )

  • Reportagem Especial - Imprensa X Crise - ( 05' 26' )

Nas últimas semanas, o presidente Lula criticou a imprensa brasileira em duas oportunidades. Em Bagé, no Rio Grande do Sul, Lula se referiu a nomes que foram manchados pela imprensa, que não teria o costume de se retratar. Em Brasília, falando para estudantes, disse que a mídia só publica notícias ruins.

Mas afinal, como está a cobertura jornalística da crise política? Será que está havendo um excesso de denuncismo?

Parlamentares, jornalistas e estudiosos da Comunicação concordam que, ao divulgar os atos de todas as esferas do governo, a imprensa desempenha um papel importante no controle da democracia. No entanto, há limites na condenação pública que devem ser observados.

Depois das denúncias sobre compra de votos e pagamentos de mesadas a parlamentares a mídia concentrou as atenções nas investigações. E na corrida para divulgar furos, manchetes bombásticas e até notas de bastidores a imprensa, às vezes, tropeça.

Um dos casos mais notórios, foi a divulgação no Jornal Nacional, da TV Globo, de uma lista de supostos sacadores do Banco Rural, apresentada pelo deputado Rodrigo Maia. Na reportagem, o próprio deputado afirma que ainda iria checar algumas informações, mas a matéria acabou indo ao ar. No dia seguinte, ficou comprovado que várias das pessoas não tinham qualquer relação com esquemas de corrupção.

Presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar, do PTB paulista, aponta o papel de complementação dos trabalhos que a imprensa exerce, mas acredita que somente fatos concretos deveriam ser divulgados.

Sonora:
"Acho que (a imprensa) está bem, com algumas falhas, apresentando nomes antecipadamente e depois pedem desculpa, que não houve uma prova concreta, mas está fazendo um papel muito bom, ao lado do Conselho de Ética, ao lado da CPI, nos ajudando em muitas matérias."

Gustavo Fruet (PSDB-PR), que é sub-relator de movimentação financeira da CPI Mista dos Correios, acredita que as falhas da mídia não diminuem sua importância.

Sonora:
"Se não fosse a imprensa talvez nós não tivéssemos o ritmo que está tendo a investigação e muito menos a implantação da CPI. Acho que há erros, mas esses erros não comprometem o saldo extremente positivo e fundamental de catalisar as informações e ser um fator de dinamização dos trabalhos do Congresso Nacional e da CPI. Graças a esse acompanhamento, que muitos dos fatos estão vindo a público."

Para a senadora petista Ideli Salvati, o relevante papel da imprensa na cobertura da crise vem, inclusive, pautando os trabalhos da CPI dos Correios. No entanto, o ritmo imprimido aos trabalhos pode ser prejudicial. Ideli Salvati explica porquê.

Sonora:
"Muitas vezes essa pauta feita pela imprensa atropela a lógica da investigação. Às vezes é positivo, às vezes não é. Até porque investigação é uma coisa e divulgação é outra. Investigação exige um tempo, de você apurar, de coletar, de confrontar os contraditórios, buscar documentos, elementos. Então, o tempo da investigação não é o tempo da divulgação."

O colunista político do jornal O Globo, Ilimar Fanco, acompanha de perto o trabalho das CPI´s e outras investigações no Congresso e lida com dezenas de informações que circulam diariamente.

Sonora:
"A imprensa, como sempre acontece nessas situações de denúncias, ela vai atrás de todas as informações e publica praticamente tudo. E só como tempo se poderá saber... quais as que têm importância, quais não têm. É muito difícil, numa situação dessas você segurar algum tipo de informação. Isso não pode ser o ideal, mas é assim que acontece."

Professor aposentado da UnB, jornalista e publicitário, Venício Lima faz questão de ressaltar a gravidade da crise política e a importância da imprensa, mas critica a cobertura da mídia. Segundo ele, houve casos de precipitação e os veículos de comunicação adotaram uma posição de presunção de culpa. Para Venício Lima, a mídia constrói um desenrolar no sentido geral da própria crise.

Sonora:
"Não é que a mídia conduza a crise, a mídia conduz a crise para um determinado final. Ela cria uma dinâmica que passa, num certo sentido, a ser irreversível. Eu lendo certo colunistas por exemplo, eu fico pensando: se não houver um impeachment do presidente eu não sei o que este colunista vai poder dizer amanhã, porque ele não deixa nenhuma alternativa. É nesse sentido que acho que coisa fica mais complicada."

Segundo Venício Lima, só no futuro é que se vai poder fazer uma avalição consistente da cobertura jornalística da crise. O estudioso acredita que será um papel de condução do ritmo da própria crise.

E como foi bem lembrado pelo jornalista Ilimar Franco, quando tudo isso terminar vai ser a imprensa que terá mostrado quem é quem.

De Brasília, Idhelene Macedo

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