Painel Eletrônico
Professor da UNB diz que Brasil dever perseverar na defesa da ampliação do Conselho de Segurança da ONU
26/09/2024 -
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Entrevista - Antônio Jorge Ramalho da Rocha
O diretor do instituto de Relações Internacionais da UNB diz que o governo acerta ao insistir na reformulação do Conselho de Segurança da ONU. Segundo o professor Antônio Jorge Ramalho da Rocha, a mudança é difícil, mas não impossível. “É preciso perseverar. Já houve mudanças antes, como a substituição de Taiwan pela China”, cita. O tema foi objeto do discurso do presidente Lula na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Luiz Inácio da Silva defende que América Latina e África também tenham assento no conselho, ao lado dos atuais 5 membros (EUA, França, Rússia, China e Reino Unido).
O professor da UNB diz que Lula não mencionou a Venezuela no seu discurso porque vive uma situação complicada. Ao mesmo tempo em que condena o autoritarismo, não pode ferir a autodeterminação de outro país. Ramalho acha, no entanto, que o Brasil deveria combater a ditadura venezuelana de forma mais dura, marcando posição em defesa da democracia. “Maduro vai passar, em algum momento, mas o Brasil terá de continuar convivendo com o seu vizinho”, diz.
Ramalho Rocha concorda com as posturas de Lula, durante o discurso na ONU, sobre os conflitos Rússia-Ucrânia e Israel-Hamas. “Um estado soberano deve evitar o terrorismo e não praticar o terrorismo, como atual governo de Israel está fazendo”, afirma. “É um assassinato cotidiano de milhares de pessoas inocentes”, declara. “Trata-se de defender vidas humanas”.
Sobre a Ucrânia, o professor da UNB diz que o presidente Lula condenou a invasão promovida pela Rússia. Ele lembra que, após a Segunda Guerra Mundial ,os EUA se comprometeram que a Otan não faria nenhuma expansão a leste. Segundo ele, americanos e europeus precisam entender que a Rússia, invadida várias vezes por países ocidentais, vê cada expansão como uma ameaça ao seu território. Ele diz que, historicamente, a Rússia definiu duas linhas vermelhas: Ucrânia e Geórgia.
Em ambos os casos, o professor da UNB diz que solução está na negociação – e não na guerra. “O custo será menor para todos se houver diálogo”, afirma. Ramalho destaca, mais uma vez, a posição do Brasil ao estimular a negociação, como faz ao lado da China, no caso da Ucrânia.
O professor Ramalho também diz que o Brasil saiu fortalecido do embate entre o STF e o bilionário Elon Musk. Ela lembra que o empresário é acusado de tentar desestabilizar vários países, ao mesmo tempo em que silencia sobre a China, por exemplo. Para ele, o essencial é que as redes sociais devem ser regulamentadas, como pregou o presidente Lula. “Muitos estão atuando num mundo sem lei”, aleta. Ele lembra que isso se estende para as armas letais autônomas, discutidas em painel da ONU, mas sem nenhum acordo até agora.
Apresentação: Mauro Ceccherini