Saúde

Pessoas com TDAH precisam de políticas públicas, defendem participantes de sessão solene

Deputado reclamou que falta acesso a medicamentos e psicoterapia

04/08/2023 - 20:02  

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Homenagem à Semana de Conscientização do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
Prof. Reginaldo Veras (C) presidiu a sessão solene

Durante sessão em homenagem à Semana de Conscientização do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o deputado Prof. Reginaldo Veras (PV-DF) destacou que o TDAH não é uma doença, mas um transtorno com causa genética. O parlamentar ressaltou ainda que, embora não tenha cura, a condição pode ser tratada, principalmente se houver diagnóstico precoce.

No entanto, Reginaldo Veras também afirmou estar claro que o Estado brasileiro falha em conscientizar a população sobre o transtorno e em oferecer tratamento.

“O Estado brasileiro tem de desenvolver políticas públicas não só de informar a sociedade, mas de dar maior acesso ao tratamento, seja por meio da psicoterapia seja de forma medicamentosa. E o Poder Legislativo tem um papel fundamental ao criar propostas e determinar que o Poder Executivo tome algumas providências em relação a isso”, disse.

Distribuição de medicamentos
De acordo com o criador do Instituto Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, Yuri Maia, uma política fundamental para pessoa com TDAH seria a distribuição gratuita de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Yuri Maia afirmou que uma caixa de um dos remédios utilizados por pessoas com o transtorno custa entre R$ 25 e R$ 70 por mês para o consumidor final. Segundo disse, o governo argumenta que um dos motivos para não fornecer o remédio é o custo. No entanto, o especialista considera que esse gasto seria “irrisório” se comparado às possíveis consequências sociais da falta de tratamento do TDAH.

“Quanto custa ao Estado o aluno repetente, quanto custa o adolescente marginalizado, o tratamento do dependente químico, e, principalmente, quanto custa a diária de um presidiário?”, questionou.

Segundo Yuri Maia, uma pessoa com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade tem até 300% mais chance de reprovação na escola que os demais alunos e 400% mais chance de abandonar os estudos. Além disso, os acometidos pelo transtorno teriam um risco 300% mais elevado de ter depressão na fase adulta, cair na marginalização e cometer suicídio.

O especialista relatou ainda que um estudo realizado no Reino Unido em 2018 mostrou que 25% da população carcerária britânica tinha traços de TDAH, cinco vezes mais que a incidência na população em geral. Estima-se que entre 5% e 6% da população mundial vivam com TDAH.

A Semana Nacional de Conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é realizada no período que abrange o 1º primeiro de agosto de cada ano. A data foi criada para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico e do tratamento precoce do transtorno.

Reportagem - Maria Neves
Edição - Ana Chalub

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