Política e Administração Pública

Direitos Humanos discutirá mapa do preconceito em bancos

26/01/2007 - 17:00  

A elaboração de um diagnóstico sobre a diversidade racial e de gênero nos estabelecimentos bancários, para verificar onde existe exclusão e preconceito, deve ser prioridade para a Comissão de Direitos Humanos na próxima legislatura. A iniciativa, inédita, conta com a parceria do Ministério Público do Trabalho, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert).

Em reunião na Comissão de Direitos Humanos realizada hoje, a Febraban informou que o censo bancário deve ser concluído nos próximos seis meses. De acordo com o cronograma de trabalho da entidade, nos três meses seguintes após a conclusão do mapa, será desenvolvido um trabalho de sensibilização de formadores de opinião sobre o tema. Com base em estudos já realizados, a Febraban acredita que, somente após três ou cinco anos, os resultados do programa serão visíveis.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), o trabalho pioneiro iniciado na sua gestão deve ter continuidade com o próximo presidente da comissão. Segundo o deputado, os dados levantados no mapa da diversidade servirão para corrigir as distorções do mercado de trabalho.

Greenhalgh acredita, também, que essa experiência pode servir de exemplo para outros setores. Ele se propôs a conversar com o futuro presidente do colegiado para explicar os detalhes do trabalho. "Quero dar ao novo dirigente da Comissão de Direitos Humanos a real importância desse processo, de forma que, na gestão dele, isso seja incluído como prioridade. Essa é uma experiência piloto, que, se der certo, pode ser experimentada em outros setores onde haja diversidade ou discriminação e restrição", declarou.

Exclusão de negros
Dados preliminares do Ministério Público do Trabalho mostram que a exclusão de negros no setor bancário privado no Brasil ainda é grande. O levantamento foi feito em quatro estados. Na Bahia, por exemplo, apesar de os negros representarem 72% da população economicamente ativa, os quatro maiores bancos do estado têm apenas 23% de funcionários negros. Em Minas Gerais, os negros representam 39% da população economicamente ativa, mas há apenas 10% de negros empregados nos sete maiores bancos do estado.

No Rio de Janeiro e em São Paulo a situação se repete. Os negros são 31% da população economicamente ativa no Rio de Janeiro, mas são apenas 13% nos sete maiores bancos do Estado. Já em São Paulo, os negros representam 20% do mercado de trabalho, mas apenas 8% dos funcionários dos seis maiores bancos.

Diagnóstico sobre discriminação
Para o subprocurador-geral do Ministério Público do Trabalho, Otávio Brito, a iniciativa da Febraban, somada aos dados já levantados pelo Ministério Público, pode levar a um diagnóstico definitivo sobre o problema. "O Ministério Público já tem esse trabalho feito, mas, com a parceria da Febraban, ganha uma força e uma legitimidade muito maiores. Porque o setor bancário, realizando também seu censo, vai, eventualmente, bater com o nosso. Então passamos a ter uma opinião comum e vamos buscar uma solução comum também", disse Otávio Brito.

O programa para promoção da diversidade feito pela Febraban conta com a participação de profissionais de 22 bancos do País, técnicos da entidade, representantes da sociedade civil, com a consultoria do Ceert, organização não-governamental que atua no combate à desigualdade racial há 15 anos.

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Reportagem - Geórgia Moraes/Rádio Câmara
Edição - Renata Tôrres

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