A ditadura militar
30/12/2010 - 17:28
O regime militar (1964-1985), reflexo da Guerra Fria entre Estados Unidos e a antiga União Soviética, foi marcado pela perseguição política e pela repressão cultural. Ficou conhecido como os "anos de chumbo".
O golpe militar de 31 de março de 1964 contra o presidente João Goulart teve o apoio dos partidos conservadores (PSD e UDN), do empresariado, dos proprietários rurais e da classe média urbana. Um argumento usado para conseguir o apoio desses setores foi o de que os militares ficariam no poder apenas durante o tempo necessário para restabelecer a ordem. Entretanto, o sistema foi mantido por 21 anos.
A partir de 1968, em resposta à pressão do movimento estudantil e ao início da luta armada, os generais endureceram o sistema e aumentaram a repressão.
O clima era de combate ao comunismo, mediante o temor da revolução cubana. As causas imediatas do colapso do regime democrático iniciado com a Constituição de 1946 foram: a instabilidade governamental; a desintegração do sistema partidário; a ameaça representada pela proposta de reforma agrária; e o radicalismo crescente, tanto da direita como da esquerda. A situação econômica - sobretudo a inflação em alta - foi também um fator importante.
Apesar da chamada "linha dura", o novo regime evitou uma ruptura completa com os fundamentos constitucionais da democracia representativa. Embora tenham abolido já de início as eleições diretas para a Presidência e posteriormente para os governos estaduais e principais prefeituras, os generais mantiveram a periodicidade e a exigência de um mínimo de legitimação democrática para esses mandatos, por meio da eleição indireta pelo Congresso ou pelas assembléias estaduais.
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Reportagem - Antonio Barros
Edição - João Pitella Junior