Agropecuária

Bric: Brasil desperdiça oportunidades comerciais

28/11/2006 - 21:43  

A falta de estratégias e de informações comerciais prejudica as relações do Brasil com as economias emergentes. Essa foi a principal conclusão do painel da tarde desta terça-feira do seminário "Bric – Brasil, Rússia, Índia e China: Oportunidades e Desafios", realizado na Câmara. A restrição comercial com a China foi citada como exemplo de oportunidades desperdiçadas. Segundo o representante do Conselho Empresarial Brasil-China, Rodrigo Tavares Maciel, o Brasil precisa diversificar a sua pauta comercial com a China, atualmente restrita a soja e minérios.

Maciel afirmou que o comércio bilateral poderia ser explorado de maneira mais estratégica pelo Brasil, mas um dos entraves é a falta de informações sobre a diversidade da produção brasileira. "Os chineses não têm informação sobre a economia brasileira e a culpa é nossa, que não fazemos divulgação comercial", ressaltou.

Estratégias
Ao comparar o Brasil aos outros países do Bric, o professor da Escola Superior de Guerra Severino Cabral disse que o País tem todas as condições para se tornar uma potência econômica mundial. Em sua opinião, o que falta é desenvolver estratégias eficientes.

O potencial comercial da Rússia, da Índia e da China com o Brasil poderia triplicar nos próximos anos, caso houvesse estratégias mais ousadas, na avaliação do coordenador do Núcleo de Estudos Asiáticos da Universidade de Brasília, Lytton Guimarães. Ele destacou que o mercado interno dos países emergentes ainda é pouco explorado pelo Brasil. "Ainda faltam estratégias para aumentar a participação do Brasil nesses mercados", alertou.

O representante do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Amaury Porto de Oliveira, disse que a sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) deve ser vista de forma crítica, pois resulta da avaliação de uma única consultoria econômica, o que corresponde a um ponto de vista isolado. "Aliás, as projeções que levaram à denominação Bric já estão superadas – o que indica a fragilidade dessas projeções", ressaltou.

O termo foi criado em 2001 pelo analista de mercado Jim O`Neill, do banco Goldman Sachs, e sintetiza a expectativa criada em torno desses países, considerados a base de apoio da expansão da economia mundial. Brasil, Rússia, Índia e China têm sido apontados, nos últimos anos, como os prováveis candidatos a crescer de forma vigorosa, juntando-se ao clube dos países desenvolvidos nas próximas décadas. O embaixador destacou a importância do México como economia emergente, fato que, em sua opinião, foi ignorado pelos economistas do banco Goldman Sachs.

O evento foi promovido pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara, com o apoio das comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional; Desenvolvimento Urbano, Indústria e Comércio; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

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Reportagem - Antonio Barros
Edição - Maria Clarice Dias

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