Política e Administração Pública

Oposição defende pedidos de indiciamento de deputados feitos pela CPI da Pandemia do Senado

Carlos Jordy, um dos deputados que foram alvo da CPI, critica pedido de indiciamento e afirma que a comissão "nunca foi séria"

27/10/2021 - 19:35  

Lideranças da oposição na Câmara dos Deputados foram à tribuna na sessão do Plenário desta quarta-feira (27) defender os pedidos de indiciamento feitos pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal que investigou a gestão da pandemia pelo governo federal.

O relatório da comissão foi duramente criticado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, por sugerir o indiciamento de parlamentares por supostos crimes de disseminação de notícias falsas. Lira destacou que a Constituição garante que parlamentares são invioláveis por suas opiniões.

Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), as prerrogativas dos parlamentares não devem servir para acobertar apologia de crimes contra a vida. “O que o governo Bolsonaro fez e parlamentares da sua base, inclusive deputados federais, foi apologia de crime e isso merece investigação, isso justifica o indiciamento de parlamentares. É importante separar o joio do trigo”, disse.

O relatório aprovado nesta terça-feira, por 7 votos a 4, propõe o indiciamento de cerca de 80 pessoas, entre elas, o presidente da República, Jair Bolsonaro, e os deputados Carlos Jordy (PSL-RJ)Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Ricardo Barros (PP-PR) e Osmar Terra (MDB-RS).

Eduardo Bolsonaro foi à tribuna para rechaçar publicamente o relatório da CPI. “Como todos sabem, originalmente, a competência para investigar deputados é do STF. Desconhece-se essa competência. Além disso, conversas minhas foram vazadas e transmitidas pela Rede Globo, sem qualquer tipo de fato delituoso”, condenou.

A líder do Psol, deputada Taliria Petrone (RJ), defendeu a punição de práticas como a propagação de tratamentos não comprovados cientificamente durante a pandemia. “Nós não chegamos aqui à toa. O negacionismo, as fake news, as mentiras são política institucional do governo Bolsonaro e de pelos menos cinco deputados desta Casa e isso não pode passar impune”, afirmou.

Carlos Jordy criticou o seu indiciamento e disse que a CPI não tem conjunto de provas para comprar os crimes apontados. “Sabe quais foram os crimes pelos quais eu estou indiciado? Estou lá no relatório como sendo indiciado por incitação a crime por ter defendido o tratamento precoce, por ter sido contra a obrigatoriedade da vacina, por ter chamado o STF de "junta da toga", por ter dito que Doria é "Ditadoria" e por ter compartilhado uma postagem da Jovem Pan. Essa CPI nunca foi séria”, disse.

O líder do PT, deputado Bohn Gass (RS), afirmou que a disseminação de notícias falsas disseminadas por autoridades precisa ser criminalizada. “É função desta Casa constituir uma legislação que impeça que inverdades sejam ditas e fakes news sejam propaladas”, disse.

Ele afirmou que o relatório reforça os pedidos de impeachment já apresentados à Câmara dos Deputados – 139 pedidos. “Esta Casa precisa dar uma resposta à sociedade brasileira. A CPI apenas trouxe o reforço, porque estamos há tempos dizendo que o pedido de impeachment precisa ter seguimento aqui”, disse.

Reportagem - Carol Siqueira
Edição - Wilson Silveira

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