Direitos Humanos

Comissão debate recomendações da ONU sobre direito à manifestação

03/09/2021 - 08:05  

Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
Manifestações - geral - protestos (manifestantes em defesa da democracia e contra o racismo, Brasília-DF, 7/6/20)
Manifestação pela democracia e contra o racismo em Brasília

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados realiza audiência pública nesta sexta-feira (3) sobre o tema "Direito à manifestação e à organização", a partir das recomendações recebidas pelo Brasil no âmbito da Revisão Periódica Universal (RPU), da Organização das Nações Unidas (ONU)

A RPU é um mecanismo de avaliação da situação interna dos direitos humanos nos 193 países que integram a ONU. Por meio da RPU, os países se avaliam mutuamente e produzem um conjunto de recomendações. Em 2017, o Brasil passou pelo terceiro ciclo de avaliação e recebeu 246 recomendações, das quais aceitou voluntariamente 242.

Em 2019, a Câmara dos Deputados e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos firmaram parceria para a criação de um Observatório Parlamentar no âmbito da Comissão de Direitos Humanos, com o objetivo de monitorar as recomendações recebidas pelo Brasil. A parceria foi renovada em 2020 para vigência por mais um ano, contado a partir de fevereiro de 2021.

"A principal atividade do observatório é o monitoramento dessas recomendações recebidas e aceitas pelo Brasil, por meio de análises técnicas e audiências públicas, a partir das quais serão elaborados relatórios temáticos a respeito do seu estágio de cumprimento", ressalta o presidente da comissão, deputado Carlos Veras (PT-PE), que tem proposto os debates para avaliar a situação dos direitos humanos no Brasil em várias áreas.

Entre as recomendações a serem analisadas nesta audiência estão:
- avaliar se a Lei Antiterrorismo de 2016 corresponde aos padrões internacionais de direitos humanos e se combate apenas grupos terroristas e não engloba defensores dos direitos humanos;
- adotar um código de conduta baseado em padrões internacionais de direitos humanos, a fim de estabelecer condições específicas para o uso da força por parte de agentes da lei durante protestos e manifestações;
- reforçar as medidas de prevenção de abusos por parte de alguns agentes responsáveis pela aplicação da lei, inclusive através do treinamento apropriado em direitos humanos.

Convidados
Foram convidados para discutir o assunto com os parlamentares representantes do Escritório para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, da Procuradoria-Federal dos Direitos do Cidadão, do Coletivo RPU Brasil, da Conectas Direitos Humanos, da Plataforma Dhesca, entre outros.

A audiência está marcada para as 10 horas, no plenário 13. Quem quiser pode enviar perguntas, críticas e sugestões aos participantes pelo portal e-Democracia.

Da Redação - MB

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