Sub-relator volta a criticar ex-dirigentes da Prece
12/01/2006 - 21:15
Ex-dirigentes não conseguem responder à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios sobre as denúncias de irregularidades na Prece, o fundo de pensão dos funcionários da Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro. Foi o que disse mais uma vez nesta quinta-feira o sub-relator de Fundos de Pensão da CPMI, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).
Ontem e hoje, ele ouviu quatro ex-diretores financeiros e o atual gerente de investimentos da Prece. A instituição é um dos 13 fundos que tiveram perdas de cerca de R$ 730 milhões em operações no mercado de derivativos da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Um relatório preliminar da sub-relatoria mostra que a Prece acumulou os maiores prejuízos entre os fundos de pensão, totalizando R$ 309 milhões.
Perdas
Segundo Antonio Carlos Magalhães Neto, 2002 foi o pior ano contábil da Prece, que apresentou redução de 7% no patrimônio líquido e de 30% na rentabilidade. Em depoimento realizado nesta quinta-feira, o ex-diretor financeiro Pedro José Mercador Mendes, que ocupou o cargo entre janeiro e agosto de 2002, atribuiu o resultado negativo a fatores políticos e econômicos. Como exemplo de influência negativa, ele citou as indefinições em torno da sucessão presidencial em 2002, o que contribuiu para aumentar o dólar e elevar o risco-Brasil.
O deputado Magalhães Neto, porém, lembrou que outros fundos de pensão, submetidos aos mesmos cenários político e econômico, registraram bons resultados neste período. As irregularidades na Prece, sustentou o sub-relator, foram constantes entre 2000 e 2005.
"Os diretores financeiros da Prece não conseguem responder de forma consistente sobre as irregularidades verificadas no fundo em diversas aplicações dos seus investimentos financeiros. Essa prática teve início pelo menos em 2000 e se estendeu até o ano atual", afirmou Magalhães Neto.
Outra reclamação de Antonio Carlos Magalhães Neto é que, no período em análise, diretores financeiros da Prece ocuparam o cargo mesmo sem experiência ou conhecimento do mercado financeiro.
Déficit e superávit
Além de Pedro José Mendes, a comissão também ouviu nesta quinta-feira Ricardo Afonso das Neves Leitão, outro ex-diretor financeiro da Prece. Ele ocupou o cargo entre 1999 e 2001.
Foi no fim da gestão dele que a instituição financeira Mello Brascan assumiu a suspeita administração dos negócios do fundo. Apesar disso, Leitão afirmou que conseguiu reverter um déficit de R$ 27,9 milhões para um superávit de R$ 15 milhões.
"A Mello Brascan tinha experiência", defendeu-se o ex-diretor. Ele considerou normal a atuação do banco durante sua gestão. A diretoria financeira, disse, acompanhava as atividades da Mello Brascan por meio de relatórios enviados pelo próprio banco.
Próximas atividades
Pedro José Mendes e Ricardo Leitão falaram à sub-relatoria de Fundos de Pensão protegidos por habeas corpus preventivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na próxima semana, a sub-relatoria vai tomar depoimentos de ex-diretores do Nucleos, o fundo de pensão da Eletronuclear. Segundo a CPMI, esse fundo teria acumulado perdas de R$ 34 milhões em operações malfeitas no mercado financeiro.
Também serão ouvidos os representantes das corretoras responsáveis pelas operações irregulares do Nucleos e da Prece.
Confira os depoimentos prestados até agora
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Reportagem - José Carlos Oliveira e Newton Araújo Jr.
Edição - Noéli Nobre
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