Anvisa, Anac e empresas defendem eficácia dos protocolos contra Covid-19 em voos domésticos

Deputado questiona entrada de Bolsonaro sem máscara em aeronave no ES; Anvisa diz que Azul e aeroporto foram notificados
Da Agência Câmara - 29/06/2021 - 18:46

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e as agências nacionais de vigilância sanitária e de aviação civil (Anvisa e Anac, respectivamente) afirmaram, na Câmara dos Deputados, que há segurança sanitária para os passageiros dos voos domésticos no atual momento da pandemia no Brasil.

Os protocolos das companhias aéreas contra a disseminação do novo coronavírus foram debatidos nesta terça-feira (29)  em audiência virtual conjunta da Comissão de Seguridade Social e Família; e da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19. A reunião também tratou da investigação da aglomeração causada pelo presidente Jair Bolsonaro dentro de um avião da Azul no aeroporto de Vitória (ES), em 11 de junho.

Audiência Pública. Representante da Associação Brasileira das Empresas Aéreas - ABEAR, Eduardo Sanovicz
Eduardo Sanovicz: ar dentro das aeronaves é renovado a cada três minutos - Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Quanto à segurança sanitária dos voos domésticos, o superintendente de infraestrutura aeroportuária da Anac, Giovano Palma, informou haver protocolos para todas as fases do embarque ao desembarque de passageiros.

“São protocolos seguidos desde que o passageiro desembarca do veículo que o leva até o aeroporto e nos momentos em que ele passa pelo check-in e pelo canal de inspeção e chega para embarcar”, disse. “Também nos procedimentos dentro da aeronave, no desembarque, na restituição da bagagem e quando ele vai para o seu destino. Tudo isso demonstra o comprometimento da agência com a segurança sanitária”, acrescentou.

Recentemente, foi publicada uma portaria interministerial (655/21) com restrições à entrada no Brasil de passageiros que, nos últimos 14 dias, tenham passado por Índia, Reino Unido e África do Sul, onde há registro de variantes mais agressivas do coronavirus. A mesma portaria tem regras para o embarque de estrangeiros com destino ao Brasil, como a exigência de teste RT-PCR negativo nas últimas 72 horas, declaração de saúde e informação do local de quarentena no País, caso seja necessário.

A Anvisa detalhou a resolução que trata, por exemplo, das máscaras permitidas dentro das aeronaves e da suspensão do serviço de bordo nos voos domésticos,  a fim de evitar aglomeração e retirada da máscara para alimentação. A ocupação dos ônibus que fazem o transporte da sala de embarque até as aeronaves não pode passar de 50%. Também há regras para limpeza e purificação dos aviões, sobretudo em relação ao banheiro.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz, explicou que, dentro das aeronaves, o ar é renovado a cada três minutos com a ajuda do filtro HEPA.

“As pesquisas técnicas e as referências nacionais e internacionais mostraram que o filtro HEPA cria uma cortina de ar e puxa o ar para baixo. Hoje, a ocupação [das aeronaves] gira em torno de 75% a 78% em média”, declarou.

A Abear engloba a Gol, a Latam e algumas empresas regionais. Segundo Sanovicz, todas apostam em check-in remoto e rigor na higienização. Ainda foi criado um comitê de segurança sanitária para ações corretivas em caso de irregularidades.

O presidente da associação elogiou as medidas provisórias (MPs 925/20 e 1024/20) que garantiram o reembolso das passagens aéreas sem custo para os usuários durante a pandemia, mas lamentou a não aprovação de outras medidas que poderiam ajudar o setor, como novas linhas de crédito e a liberação do FGTS dos aeronautas e aeroviários. Sanovicz fez questão de ressaltar que, durante a pandemia, as companhias aéreas já garantiram o transporte gratuito de 7,5 mil profissionais de saúde, 500 toneladas de alimentos, equipamentos de proteção individual (EPIs) e respiradores e 80 milhões de vacinas.

Audiência Pública. Dep. Carmen ZanottoCIDADANIA - SC
Carmen Zanotto mostrou preocupação com aglomerações em aeroportos - Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Uma das organizadoras do debate, a relatora da comissão externa sobre a Covid-19, deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), manifestou a preocupação de outros parlamentares com aglomerações ainda registradas nos aeroportos.

“A gente ainda vê conflitos tanto dentro dos voos quanto nas salas de espera em função das aglomerações. A gente percebe que, nos últimos meses, a retomada dos voos melhorou bastante, o que não nos impede de continuar tratando da segurança, do cuidado e da proteção dos voos e da tripulação”, disse.

Bolsonaro

Outro idealizador da reunião, o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) cobrou providências da Anvisa e da Anac quanto ao episódio de 11 de junho, no aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, no qual o presidente Bolsonaro, sem máscara, decidiu cumprimentar passageiros dentro de um avião da Azul que seguiria para Campinas, em São Paulo. Houve aglomeração e manifestação dentro da aeronave tanto de simpatizantes quanto de opositores do presidente.

“Eu não tenho dúvida nenhuma de que esse senhor que ocupa a cadeira de presidente da República feriu todos os protocolos nesse ato de 11 de junho. Infelizmente, deve ter sido a Azul que autorizou a entrada dele sem máscara para fazer aquela balbúrdia dentro do avião, colocando as pessoas em risco”, comentou Padilha.

A Azul foi convidada para o debate, mas não enviou representante. O gerente geral de portos, aeroportos e fronteiras da Anvisa, Nélio de Aquino, afirmou que tanto a empresa aérea quando a administradora do aeroporto foram notificadas.

“Nós abrimos um processo administrativo sanitário. Elas já foram autuadas: a Azul por permitir a aglomeração de pessoas no interior da aeronave sem o correto uso de EPI, no caso, a máscara de proteção facial; e a administradora do aeroporto por permitir a aglomeração em área de check-in sem a correta utilização de EPIs. Esse processo segue o rito legal, então existe a possibilidade de a companhia apresentar esclarecimentos e depois haverá o julgamento em que se define a pena”, explicou.

A Anac também investiga o caso por meio de processo administrativo com foco nos riscos à segurança da aviação civil.

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